Filme da Semana XIII - Vals Im Bashir (Valsa Com Bashir)

21 de Abril de 2009 @ 14:41 - Equipe
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Um diretor de filme israelense entrevista amigos veteranos da invasão do Líbano de 1982 para reconstruir memórias de seu serviço nesse conflito.

Dados do filme:

Título original: Vals Im Bashir
Direção: Ari Folman
Roteiro: Ari Folman
Ano: 2008
País: Israel, França, Alemanha, Estados Unidos, Finlândia, Suíça, Bélgica e Austrália
Elenco (dublagens): Ron Ben-Yishai, Ronny Dayag, Ari Folman, Dror Harazi
Duração: 90 min
Gênero: Animação/Drama

Entrevista com Peter Joseph

21 de Abril de 2009 @ 14:12 - Equipe
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Há pouco menos de uma semana, ainda intrigada com o filme “Zeitgeist” - sucesso absoluto da Internet que destrincha algumas das teorias de conspiração mais intrigantes da humanidade - escrevi um email ao diretor do filme, Peter Joseph, com sete perguntas, sem muitas esperanças de que ele fosse me responder.

Felizmente, ele o fez!

Divido com vocês, abaixo, suas respostas (coloquei, debaixo de cada pergunta/resposta, sua tradução em português):

1) Is there a small bibliography or filmography you could recommend for activists?

Yes, we have a reading list through The Venus Project, which isn’t as much about activism, per se, as it is about awareness.
http://www.thevenusproject.com/media/downloads/Booklist.pdf
In order for activism to be success it isnt enough to just fight the negative outcomes of our current system.
We have to have an educated goal of transition in order to move away from the root causes of the pervasive corruption we see today. The realization is that it is the system which is causing this… not the people. People are products of their environment.

1) Há uma pequena bibliografia ou filmografia que você possa recomendar a ativistas?

Sim, temos uma lista de leitura através do Projeto Vênus, que não é tanto sobre ativismo em si, mas sobre consciência. Está disponível em http://www.thevenusproject.com/media/downloads/Booklist.pdf
Para que o ativismo seja bem sucedido, não é suficiente apenas combater os produtos negativos do nosso sistema atual. Precisamos ter um objetivo instruído para nos afastarmos das causas primeiras da corrupção generalizada que vemos hoje. A descoberta é que é o sistema que causa isso… não as pessoas. As pessoas são produtos do ambiente.

2) If the media is controlled by bankers and corrupted politics, whereshould we turn to for information? Could you recommend some Internet links?

Well, you have to use your mind when reviewing any news material.
Obviously, Fox News, CNN and the like are the most biased and colored, based on the status quo. Internet news site are naturally better, but you have to get to know the agendas of each. I find http://www.rawstory.com/ to be pretty good. Sometimes http://www.rawstory.com/ and http://www.huffingtonpost.com/ can be okay, along with http://www.globalresearch.ca/. Again there are problems with all of these and you really have to check the reference of anything you read. As a General Rule, the more corporate sponsorship a news agency has, the less relevant their information is likely going to be. That being said, people should really read all they can from all sources, but always be generally cynical of the assumptions. For instance, there is a website called “infowars.com” which often has syndicated content from other sources… but their website is of a nationalist/pseudo-religious and capitalist disposition, so when they post articles, they often frame those articles in a way which fits their agenda….even if the articles have no real relationship to what the host website’s biases are. This is the kind of thing to be careful of.

2) Se a mídia é controlada por banqueiros e políticos corruptos, a quem devemos recorrer para obtermos informação? Você pode recomendar alguns links na Internet?

Bem, você tem que usar sua mente para ler qualquer material informativo. Obviamente, a Fox, a CNN e outras semelhantes são as mais tendenciosas e sensacionalistas, baseadas no status quo. Os sites de mídia da Internet são naturalmente melhores, mas é preciso conhecer as agendas de cada um. Eu gosto do http://www.rawstory.com/, acho muito bom. http://www.huffingtonpost.com/ e http://www.globalresearch.ca/ também são razoáveis. Mas, repito que há problemas em todos esses e é preciso checar a referência de tudo o que se lê. Como regra geral, quanto mais patrocínio corporativo uma agência de notícias tiver, menos relevante sua informação será. Tendo dito isto, as pessoas devem ler tudo o que puderem, de todas as fontes possíveis, e sempre desconfiar de suas suposições. Por exemplo, há um site chamado infowars.com que frequentemente sindicou conteúdo de outras fontes… Mas o site deles é de um temperamento nacionalista/pseudo-religioso e capitalista, então quando eles postam artigos, geralmente os enquadram de uma maneira que seja conveniente à agenda deles… Ainda que os artigos não tenham uma relação real com as tendenciosidades do host do site. É com esse tipo de coisa que se deve tomar cuidado.

3) Have you ever been threatened because of the information you have made public in Zeitgeist? If so, by whom?

Yes. primarily by random members of right wing christian/religious communities.

3) Você já foi ameaçado por causa das informações que tornou públicas em Zeitgeist? Se sim, por quem?

Sim. Primeiramente por membros aleatórios de comunidades cristãs/religiosas de direita.

4) How do you deal with fanatism on your behalf, that is, with the Zeitgeist fanatics, who see in you a “new saviour”?

I have never experienced that. The people who join our organization are typically highly educated, balanced and recognize that I am not a leader, but a person who is trying to point society, through reason and logic, to a new sets of understandings that are self evident.

4) Como você lida com o fanatismo para com a sua pessoa, isto é, com os fanáticos do Zeitgeist, que vêem em você um “novo salvador”?

Nunca experimentei isso. As pessoas que aderem à nossa organização são tipicamente altamente educadas, equilibradas e reconhecem que não sou um líder, mas uma pessoa que está tentando direcionar a sociedade, através da razão e da lógica, para um novo conjunto de compreensões que são auto-evidentes.

5) What should we do and avoid doing, on a daily basis, to promote worldwide changes?

Reject the system as best you can. Stop giving into the ploys of identity and materialism set forth by the corporations/advertising, which they push in order to keep the system going. Stop using energies that are not clean, if you can. Pull you money out of those banks which are intimate with the banking cartels/central banks of a country. Don’t ever join the military or allow your friends to. make sure your food is safe and take care of yourself… do not expect your country or regional corporations to care about your well being. Reject the medical establishment overall, for it is also highly corrupt in all nations…
the USA is the worst. Cancer is a profit industry, for example… the more sick people their are- the better the economy.
In short- be conscious of those social structures which perpetuate the greedy, materialistic, exploitative modes of conduct.

5) O que devemos fazer e evitar fazer, no dia-a-dia, para promover mudanças globais?

Rejeite o sistema o melhor que puder. Pare de ceder aos estratagemas de identidade e materialismo promovidos pelas corporações/propagandas, que eles impulsionam para que o sistema se mantenha. Pare de usar energias que não são limpas, se você puder. Retire o dinheiro dos bancos que são íntimos dos cartéis bancários/bancos centrais de um país. Jamais se junte ao exército ou deixe que seus amigos o façam. Certifique-se de que sua comida é segura e cuide-se… Não espere que seu país ou corporações regionais se preocupem com seu bem estar. Rejeite o estabelecimento médico como um todo, pois ele também é altamente corrupto em todas as nações… Os EUA são os piores. O Câncer é uma indústria lucrativa, por exemplo… quanto mais doentes as pessoas ficarem – melhor a economia. Em resumo – esteja ciente dessas estruturas sociais que perpetuam os modos de conduta gananciosos, materialistas e exploratórios.

6) What do you expect to change in the long run? Or, what is a plausible future for humanity? Are you an optimistic?

Technological Unemployment is going to be the nail in coffin for the global capitalist system. There is no stopping this, unless we choose to deliberately stop social progress itself. Unannounced to most people, government/economics have virtually nothing to do with human progress…
it is technological innovation that free us improves our physical lives.
The true change will be when the people finally realize what is important in the world and that is human creativity and human extensionality (caring). Once this awareness spreads, a new direction will emerge that sees the world as one organism and realizes that the best possible means for human flourishing is the world learning to work together by sharing ideas and productions tasks. Otherwise, the next generation is going to likely be faced with a form of global oppression/hardship that will make Nazi-Germany seem like a play ground.

6) O que você espera que mude a longo prazo? Ou, qual é um futuro plausível para a humanidade? Você é otimista?
O Desemprego Tecnológico será o prego no caixão do sistema capitalista global. Não há como impedir isso, a menos que decidamos deliberadamente travar o próprio progresso social. Não anunciado para a maior parte das pessoas, o governo/a economia têm virtualmente nada a fazer com o progresso humano… é a inovação tecnológica que nos liberta e melhora nossa vida física. A verdadeira mudança ocorrerá quando as pessoas finalmente se derem conta do que é importante no mundo e isto é a criatividade e “extensionalidade” humana (importarmo-nos). Quando esta consciência se espalhar, uma nova direção emergirá, que verá o mundo como um organismo e perceberá que os melhores meios para o florescimento humano são que o mundo aprenda a trabalhar junto, dividindo idéias e tarefas produtivas. Senão, a próxima geração provavelmente se deparará com um tipo de opressão/privação global que fará a Alemanha nazista parecer um parque de diversões.

7) If the monetary system is the problem, how can we change anything if, presently, we need money to survive?

We only presently need money to survive because that is what the system teaches and perpetuates. The reality is that WE DON’T need money at all.
What we need is the intelligent management of the world resources, coupled with the deliberate use of technology for the betterment of humanity as a whole. There is no reason to sell your labor as a slave anymore. 80% of the jobs in existence serve no large function that to perpetuate the circulation of income among people so they can buy things and keep others employed. The other 20% can be automated very easily. In time, even complex tasks like surgery will be done by machines with a higher degree of accuracy than human surgeons get today.

Please read the 83 page “Orientation Guide” PDF at www.thezeitgeistmovement.com for clarification on this issues presented above.

Thank you
Peter

7) Se o sistema financeiro é o problema, como podemos mudar qualquer coisa se, no momento atual, dependemos de dinheiro para sobreviver?
Só precisamos de dinheiro no momento atual para sobreviver porque é isso o que o sistema ensina e perpetua. A realidade é que NÓS NÃO precisamos de dinheiro coisa nenhuma. O que precisamos é de uma administração inteligente dos recursos do mundo, aliada ao uso deliberado da tecnologia para o melhoramento da humanidade como um todo. Não há mais motivos para que você venda seu trabalho como um escravo. 80% dos trabalhos em nossa existência sevem para nada além de perpetuar a circulação de dinheiro entre as pessoas para que elas possam comprar coisas e manter outras pessoas empregadas. Os outros 20% podem ser automatizados muito facilmente. Com o tempo, mesmo tarefas complexas como a cirurgia serão realizadas por máquinas com um grau de precisão maior que o que cirurgiões humanos conseguem hoje.
Por favor leia “Manual de Orientação” de 83 páginas disponível em www.thezeitgeistmovement.com para esclarecimentos com relação aos assuntos apresentados acima.
Obrigado,
Peter.

Wall-E

Em Busca da Beleza

20 de Abril de 2009 @ 00:03 - Geral
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Avaliação: cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22

Morte em Veneza é um filme atípico. Não depende de diálogos para construir sua narrativa e não se dá a obrigação de esmiuçar ao espectador os sentimentos de seus personagens. É um filme poético, contemplativo e reflexivo. Baseado na obra literária homônima de Thomas Mann, o filme de 1971, dirigido por Luchino Visconti, tem grande mérito em perceber que cinema e literatura são artes distintas, que se utilizam de métodos distintos para expressar a essência de uma obra.

Para contar a história do compositor Gustav Von Aschenbach em sua derradeira viagem a Veneza, após um período de estresse profissional e pessoal, Visconti se utiliza, com grande destaque, da música de Gustav Mahler. O Adagietto de sua Sinfonia Nº. 5 é explorada pelo diretor como um dos principais elementos narrativos e como força emotiva que carrega o filme durante toda sua duração. As imagens e cenários do filme, aliados a belíssima trilha, estabelecem alguns dos momentos mais belos da história do cinema.

A busca da beleza, aliás, é a principal obsessão da personagem de Aschenbach no filme. O compositor, que sempre levou sua vida com o ideal de que o artista é capaz de produzir beleza através do equilíbrio e domínio dos sentidos, da sabedoria e da dignidade humana, se vê contrariado pelo fracasso profissional de sua última obra. Esgotado mentalmente, Aschenbach parte para Veneza em busca de repouso e paz de espírito. Mas isso não é o que ele encontra lá.

Hospedado em um hotel no Lido, o protagonista desenvolve uma obsessão crescente por Tadzio, um jovem adolescente cuja beleza o atrai e o intriga. Mais do que uma atração física, Tadzio representa para Aschenbach uma inspiração à beleza tão almejada por ele e, ao mesmo tempo, uma tormenta por tornar-se alvo de um amor platônico, inatingível.

A representação deste conflito interno da personagem ganha vida através da excepcional interpretação de Dirk Bogarde. Com o uso de poucas palavras, o ator nos comove com gestos e olhares que expressam a obsessão do protagonista por Tadzio, de forma sincera. A expressão corporal de Bogarde impressiona pela maneira em que apresenta, de forma crescente, o declínio emocional e físico da personagem. Como a subtrama da peste que está matando sigilosamente a população de Veneza, Aschenbach está morrendo, de forma impotente, de um amor avassalador e sem cura.

O aspecto visual de Morte em Veneza também é de grande destaque no filme. Visconti estabelece uma fotografia e direção de arte estonteantes. Seus planos e enquadramentos podem ser considerados obras de arte por si só. A composição estética e visual do início filme remete muito ao ideal de beleza equilibrada que Aschenbach almejava como ideal artístico. Porém, como o aumento de seu conflito existencial e obsessão por Tadzio, os cenários pomposos do hotel no Lido dão lugar às ruelas sujas e decadentes da cidade. Veneza torna-se envelhecida, como o protagonista.

Em uma última tentativa de evitar seu trágico destino, Aschenbach vai ao salão de beleza, pinta o cabelo e aplica maquiagem com o intuito de recuperar a juventude perdida. Como um reflexo bizarro de si mesmo, o protagonista paira pelas ruas atrás de sua obsessão até que descobre que Tadzio está prestes a partir.

Na última cena do filme, Aschenbach observa Tazio na praia. O menino briga com um de seus amigos e, chateado, entra sozinho no mar raso do Lido. É aí então que a união da beleza de Tadzio, da praia de Veneza e da luz do sol refletida na água arrebata o protagonista. É uma beleza espontânea, não trabalhada, emotiva e avassaladora. É beleza demais para Aschenbach e seu coração não aguenta. O compositor morre em sua hora mais reveladora, quando finalmente encontra aquilo que tanto procurava.

Bob Harris

Sublime

19 de Abril de 2009 @ 22:19 - Geral
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Avaliação: cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8

Amparado por uma trilha espetacular, Morte a Venezia é uma poderosa adaptação do livro homônimo de Thomas Mann e chama a atenção pela discreta erudição, mas principalmente, por sua imanente e ousada busca pela beleza.

Assim como o diretor do filme, Luchino Visconti, seu personagem principal, o compositor alemão Gustav von Aschenbach, aqui vivido por Dirk Bogarde, faz de sua vida uma busca incessante pela perfeição artística da beleza.

Repleta de imagens sublimes, a produção investe toda sua narrativa em uma linguagem sutil que prefere gestos, olhares, cores e paisagens a dialogos detalhados e mantém uma atmosfera cheia de simbolismos e mistério.

Acompanhamos, no início do longa, a chegada à Veneza de um compositor cansado e frustrado. Hesitante diante de suas limitações e incapaz de compor ele passa a observar os outros hóspedes do hotel. É aí que, ansioso por alguma resposta, Gustav passa a flertar com Tadzio, um adolescente de uma família francesa. Seu martírio começa quando ele acredita que encontrou, na pureza de Tadzio, a beleza que tanto almejava para sua música. Confuso e solitário Gustav deixa que seus anseios se transformem em uma perigosa obsessão.

Paralelamente, um outro arco dramático se desenvolve: Veneza pode estar contaminada por uma praga mortal. Assustado com a possibilidade, Gustav se dedica a investigar o caso, mas nunca obtém uma confirmação. O que de certa forma deixa-o com a ilusão de que algo maior está acontecendo, desviando sua racionalidade para o fato, enquanto sua alma resta desamparada. (É importante aqui evidenciar a impecavél performance de Bogarde. Seu olhar ambíguo e a maneira com que representa a fraqueza do personagem é convincente, além de original).

Assim, Gustav encontra- se inesperadamente cercado por uma condição emotiva - seu relacionamento platônico com o menino - e o risco de ser contaminado pela tal doença. Ele não tem coragem de se aproximar de Tadzio, mas também é incapaz de sair de Veneza. Sua impertinência o leva a beira da loucura. A medida que suas aventuras ganham novo vigor ele se veste de homem mais novo, escurecendo os cabelos, criando em si uma esperança falsa e desafinada que o transforma em algo próximo de um fantasma, que assombra mas nunca chega, de fato, a se fazer presente.

Sua loucura evolui a ponto de não ser mais possível distinguir entre doença e paixão. A peste que provavelmente o afligiu não vai além da danação do corpo, porque a alma de Gustav já está completamente tomada pela fatal ilusão da beleza.

Morte a Venezia é um filme inesquecível. Luchino Visconti se destaca principalmente por sua sabedoria. Ao optar por uma linguagem totalmente literária, ele alcança um cinema ímpar e belo. Seu filme, apesar de forte e marcante, é caracterizado por sua leveza e engenhosidade. Mesmo as cenas mais dramáticas são cheias de vazio e livres de interpretações limitativas. Hábil, o diretor consegue estabelecer ao longo de todo filme um paralelo entre as imagens, que quase tranbordam da tela, e o olhar de seu personagem principal.

Tony Montana

Cinema Literário

19 de Abril de 2009 @ 21:34 - Geral
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Avaliação: cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21

Literatura não se faz com boas intenções, mas com palavras. Da mesma maneira, o bom cinema é feito de belas imagens. Mais do que ninguém, Luchino Visconti, compreendeu isto em sua adaptação cinematográfica da obra de Thomas Mann. Sabendo impossível transferir o volume verbal do livro para o cinema sem uma inevitável perda de teor, o diretor respondeu à profundidade intelectual do livro com uma direção de arte, trilha sonora e fotografia exuberantes, vivas, transformando a câmera em personagem que atribui sentido, participa da construção do protagonista e instiga reflexão.

A introdução ainda de um terceiro personagem foi essencial ao sucesso do filme: Gustav Mahler. Participando do filme não apenas com suas maravilhosas terceira e quinta sinfonias, o compositor austríaco é inspiração para a construção de Gustav von Aschenbach (que no livro é escritor e no filme passa a ser compositor), sendo referência direta para Visconti e Dirk Borgade. Tudo o que não pode ser dito em palavras (já que, felizmente, o diretor e seu co-roteirista optaram por não usar o recurso da narração), é expresso musicalmente, em um dos mais perfeitos casamentos entre música e imagem já realizados no cinema.

A melhor adaptação cinematográfica já promovida de uma obra literária, é, sem dúvida, O Poderoso Chefão. Talvez não seja coincidência Visconti ter antecedido Coppola em um ano, com Morte em Veneza (um é de 1971 e o outro de 1972). Há uma inegável semelhança na maneira como ambos os diretores transformam literatura em cinema; ainda que o trabalho de Visconti tenha sido muito mais desafiador, já que a obra que escolheu é composta por um enredo menos movimentado que a de Mario Puzo, um drama interno, quase sem acontecimentos. Além disso, Coppola levou vantagem porque obteve a inestimável ajuda do autor do livro: ele e Puzo realizaram, a quatro mãos, o roteiro do filme.

A trama de Morte em Veneza se passa no início do século XX, quando Gustav, após um período de estresse artístico e pessoal (com a morte da filha), vai a Veneza com a intenção de permanecer em repouso absoluto e recuperar a saúde. Todavia, a presença do jovem Tadzio (interpretado pelo sueco Björn Andrèsen) o perturba profudamente, já que o menino encarna em aparência e atitude, todos os ideais de beleza que o compositor jamais conseguiu atingir em sua obra, uma beleza instantânea, simples e viva, conseguida sem trabalho algum, mas pelo simples acaso da natureza: um poder sobrenatural que artista algum jamais possuirá.

Mais do que um simples episódio de paixão homossexual, o dilema de Auschenbach é artístico e intelectual. Ele quer devorar Tadzio, quer compreendê-lo, como se, estando perto dele, tivesse a oportunidade de estudá-lo, de decifrar os mistérios de sua perfeição para transportá-los à sua música. (Recusando-se a lidar com tais sutilezas, a academia desprezou o exímio trabalho de Visconti, reduzindo-o a um manifesto pedófilo e premiando-o apenas com Melhor Figurino.)

O que pode um pobre artista realizar, quando seus meios são tão precários: a palavra, a imagem, a música? Ainda mais um artista velho, doente, frustrado. A beleza natural, sem artifícios, a pura beleza material de um menino adolescente, é tão mais completa, mais viva, mais simples. O excesso de intelecto, o excesso de conhecimento sobre a beleza, torna-se um empecilho à conquista da própria beleza. Nem todo o trabalho ou reflexão do mundo, nem todo o engenho de um grande artista pode conseguir a metade da beleza desdenhosa de um jovem. Portanto, a busca da beleza significa a busca da morte. A vida não nos concede tempo para atingir tal beleza. É uma busca inútil que leva ao mesmo lugar aonde conduzem todas as outras: a morte, a aniquilação, a frustração total e, principalmente, o fracasso do artista perante a artista insuperável que é a natureza.

Desejar a perfeição implica desejar a imortalidade. Mortais não podem tocar a perfeição. Desprezando a regra, Visconti fez um filme perfeito.

Wall-E

Filme da Semana XII

13 de Abril de 2009 @ 15:49 - Geral
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Baseado na obra de Thomas Mann, o filme conta a história de Gustave Aschenbach, que viaja para Veneza buscando descanso em meio a uma crise existencial. Mas ele não encontra a paz que procurava, pois logo desenvolve uma forte atração por um garoto adolescente. Dirigido pelo italiano Luchino Visconti, o filme ganhou o prêmio de 25º aniversário do Festival de Cannes.

Dados do filme:

Título original: Morte a Venezia
Direção: Luchino Visconti
Roteiro: Luchino Visconti e Nicola Badalucco
Ano: 1971
País: Itália / França
Elenco: Dirk Bogarde, Silvana Mangano, Björn Andresen
Duração: 130 min
Gênero: Drama

Dude, Let´s Make a Movie!!!!

13 de Abril de 2009 @ 03:36 - Geral
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Avaliação: cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Como eu gostaria de ser um dos amigos nerds do Peter Jackson nessa época só para poder fazer parte desse incrível trabalho! O filme é uma obra-prima, um clássico que por si só já me faria equiparar o diretor Peter Jackson ao mundialmente reconhecido George A. Romero! Com uma sinopse brilhante, posso dizer de cara que dificilmente não me encantaria pelo filme: “A.I.D.S., uma bizarra agência do governo neozelandês que caça ETs deve impedir que aliens de uma rede intergaláctica de fast food dominem o planeta Terra.”

Mais do que eficiente, Peter Jackson consegue, abordando uma temática aparentemente banal, ser extremamente inventivo, desenvolvendo um tipo de cinema próprio, super sofisticado e experimental. Trilha, decupagem e montagem formam um tripé que conduzem a história de forma bastante inovadora e autoral (desconto aqui o lado pejorativo do termo, afinal não acredito que nenhum filme seja resultado da obra de uma só pessoa).

Por mais que se pudesse pensar o contrário, a falta de orçamento é, na verdade, um grande aliado da obra e de sua proposta, já que um filme patrocinado pelos grandes estúdios dificilmente teria uma linguagem tão espontânea, livre daquelas regras oitocentistas. Essa suposta “debilidade orçamentária” acabou, paradoxalmente, aflorando ainda mais o lado criativo e artístico do diretor. Assim como Glauber, Godard e alguns outros, Peter Jackon desenvolve aqui um cinema de linguagem, reflexivo, isto é, que faz um movimento que vai de si para si mesmo.

Ora, o que diferencia o cinema de qualquer outra expressão artística se não a sua linguagem própria (e única)? É no corte, na extensão de um plano e de suas associações, na apresentação arbitrária do tempo, na posição e movimento de câmera, na composição de imagem e sons que se constrói um filme. Ser inovador e ao mesmo tempo eficiente nesses aspectos é algo extremamente difícil.

Se por um lado o cinema (ou o audiovisual) é a arte com o maior poder de emocionar, por outro, administrar todos os seus componentes e tocar o público é algo bastante complicado. Em Bad Taste, Peter Jackson, mestre das emoções, conseguiu me fazer rir toda vez em que se propôs a isso, e, da mesma forma, me deixar com nojo praticamente durante toda a duração da obra (que efeitos sonoros, diga-se, de passagem!!!).

Mesmo com um orçamento reduzidíssimo, Jackson conseguiu invejosas quantidade e qualidade de efeitos especiais, trucagens, gruas… as interpretações, os efeitos e todas as outras escolhas artísticas são impecáveis, extremamente apropriadas a um filme cuja proposta não é mesmo se levar assim tão a sério (nenhum ator hollywoodiano caberia melhor em qualquer papel do filme).

Peter Jackson percebeu que, uma historia tão engraçada, mirabolante e ao mesmo tempo tão repugnante como essa só poderia ter força mesmo no cinema, seu meio próprio, primeiro e último. O espaço mais expressivo para os zumbis, monstros, super heróis e toda outra forma de ser extraterrestre é, definitivamente, a tela grande. Seres assim só existem mesmo na nossa imaginação e, sendo o cinema uma realidade artificialmente construída por natureza, fazer um filme fantástico é, de certa forma, falar sobre o próprio processo criativo audiovisual.

Quem já participou de uma filmagem sabe o quão pesada e cansativa é essa jornada. Posso dizer que a força que me faz filmar é querer ansiosamente ver aquilo que se desenrolará na minha frente a partir do momento que o diretor grita “ação”. Fazer drama é muito chato, falo por experiência própria. Mas fazer um filme em que você possa viajar, construir um mundo imaginário que nada tenha a ver com a realidade, cheio de explosões, tiros, sangue e todos os tipos de efeitos especiais, deve ser muito, mas muito empolgante !!!!

Com certeza a obra representa um tipo de filme feito para os apaixonados por cinema, inegavelmente divertido de se fazer e de se ver. Seu nicho consumidor (se é que havia essa preocupação) se constitui do mesmo tipo de pessoas que o produziram: nerds, leitores de gibis, estudantes de engenharia, rockeiros malditos e, é claro, pessoas com graves dificuldades de interação com o sexo oposto (nota-se a grave deficiência de mulheres no filme!). São pessoas que, assim como Peter Jackson, querem assistir algo que, acima de tudo, divirta.

Mas uma leitura política também não pode ser de todo descartada: zumbis são seres normalmente associados, de forma metafórica, aos alienados da nossa sociedade. Romero, por exemplo, é um cara que realmente faz filmes políticos nesse sentido, usando os zumbis para debochar dos costumes sociais, criticando-nos de forma irreverente e diferente do modo habitual.

Entretanto, na minha opinião, isso pouco importa em Bad Taste e mesmo em filmes parecidos.A grandeza da obra está, assim como em todo grande filme, na maestria de sua linguagem. A exemplo dos cineastas franceses da Nouvelle Vague, (que também admiravam Hollywood e o cinema de gênero) Jackson conseguiu no filme fazer algo extremamente novo, com outra cara, a sua cara. Bad Taste é um filme debochado, politicamente incorreto, assim como o jovem Peter Jackson.

Não é à toa que anos mais tarde o diretor conseguiria filmar O senhor dos Anéis, pois, assim como Sam Raimi e seu “Evil Dead”, com Bad Taste, Peter Jackson mais do que teve comprovado o seu talento em dirigir filmes fantásticos, repletos de efeitos especiais. É uma pena que, em Hollywood, os dois ainda não tenham tido, exceto em raras seqüências, a oportunidade de realizar algo que tenha mais a sua cara, demonstrando seu verdadeiro talento.

Carmen Sandiego

Cinema Artesanal

13 de Abril de 2009 @ 01:08 - Geral
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Avaliação: cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19

Primeiramente, devo afirmar que tenho um carinho especial com filmes chamados “Trash” ou “B”. Geralmente, são filmes com orçamento baixíssimo que dependem exclusivamente da criatividade e empenho de seus diretores e equipe para que possam ser realizados. Ed Wood, por exemplo, com paixão e personalidade, realizava filmes “B” que são cultuados atualmente, apesar de todos os seus defeitos cinematográficos. Já em Bad Taste – Náusea Total, de 1987, o caso é um pouco diferente. Pois, se por um lado o filme apresenta em sua estrutura, atuação, trilha e efeitos especiais todos os elementos básicos característicos de um filme do gênero, por outro lado a direção inventiva de Peter Jackson nos mostra seu talento excepcional para a arte cinematográfica.

Bad Taste foi filmado durante quatro anos, apenas nos fins de semana, pois Jackson, sua equipe e elenco (todos seus amigos) trabalhavam nos dias úteis. Segundo o Internet Movie Database, nunca houve um roteiro para o filme. As cenas eram filmadas de acordo com as idéias pensadas pelo diretor durante a semana. Portanto, considero que a trama esdrúxula e tipicamente trash sobre um grupo de alienígenas que vem até a Terra em busca de carne humana para uma cadeia de fast-food intergalática, por concepção, servia apenas como alavanca para que Jackson pudesse explorar a linguagem cinematográfica e sua afinidade com a confecção de efeitos especiais, que se tornaria característica marcante em todos os seus trabalhos futuros.

Filmando com sua própria câmera 16mm, Jackson constrói uma decupagem excepcional, muitas vezes lembrando o estilo de A morte do Demônio, de 1981, outro filme trash inovador que iniciou a carreira de um outro jovem cineasta: Sam Raimi, que mais tarde viria dirigir superproduções como a trilogia do herói Homem-Aranha. A inventividade em movimentos e enquadramentos de câmera do longa de estréia de Raimi também está presente em Bad Taste. Exibindo um estilo de filmar bem definido e característico, Jackson consegue criar cenas de ação realmente tensas, como a cena em que dois alienígenas tentam martelar um personagem em um penhasco ou na cena em que há um tiroteio, já na parte final do filme. Merece destaque também, nesse sentido, a edição dinâmica que confere ritmo às cenas e que, muitas vezes, serve como elemento de construção dos efeitos visuais. James Selkirk, que assina a edição junto a Jackson, tornou-se um grande colaborador do diretor posteriormente, editando grande parte de seus filmes, o que inclusive lhe rendeu um Oscar em 2004, pela a edição de O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei.

Mas o grande atrativo de Bad Taste são seus efeitos especiais. São efeitos toscos e claramente exagerados, mas ao mesmo tempo extremamente inventivos. Em várias cenas durante o filme, parei para tentar entender como ela tinha sido realizada. Pesquisando na internet, descobri que quase todos os efeitos foram feitos de forma artesanal. As armas de fogo foram feitas com canos de alumínio, cerâmica plástica e madeira. Já as máscaras dos alienígenas apresentavam uma inclinação para trás porque era nessa posição que Peter Jackson conseguia encaixá-las no fogão de sua mãe, para endurecer o látex. Já em referência à Náusea Total do título em português, vale destacar que o filme obtém sucesso em nos deixar enojados com seus miolos despedaçados e tripas expostas, mesmo que tudo seja feito de forma totalmente fake.

Jackson, inteligentemente, percebeu na concepção e execução de Bad Taste, que estava fazendo um filme de gênero. Desde sua premissa e roteiro, passando pela atuação canastrona de seu elenco, pela trilha sonora tosca e pelo efeitos especiais inventivos, mas claramente fakes e exagerados, o filme nunca se leva a sério. E isso é essencial para que nós, espectadores, o levemos a sério. É um filme de entretenimento puro que nos mostra a gênesis de um jovem cineasta que viria a deixar sua marca na história do cinema mundial, alguns anos depois.

Mas, mais do que isso, Bad Taste causou em mim uma sensação de euforia e amor rejuvenescido pela sétima arte, pois me relembrou que é possível sim fazer cinema com pouquíssimos recursos. O empenho e dedicação de Jackson, que no filme acumula as funções de direção, roteiro, produção, fotografia, maquiagem, efeitos especiais e edição, e de sua equipe de amigos fiéis são inspiradores para todos que amam trabalhar com cinema em sua forma mais divertida e pessoal.

Bob Harris

Amantes do Trash

12 de Abril de 2009 @ 20:40 - Geral
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Avaliação: quatro estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 - quatro estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

Há uma certa ironia nos filmes trash, uma ausência de pretensão e uma preferência explícita pelo mau gosto, que fascinam os adeptos, desde a origem do gênero, nos anos 30, quando estes filmes não passavam de produções realizadas nas brechas entre os grandes clássicos de Hollywood, que valiam-se de escassos recursos e da boa vontade de profissionais qualificados que estavam dispostos a “brincar de fazer cinema” em suas horas livres.

O aclamado “B-Movie” é isto: uma brincadeira. Uma brincadeira regrada, realizada com seriedade. Idéias idiotas que temos e que geralmente não queremos, por falta de paciência, tempo ou coragem, transformar em realidade; um virtuosismo de baboseiras e de ausência de sentido que, exibindo sem dó o conteúdo asqueroso de monstros e zumbis apontam, de alguma maneira, para a ausência de conteúdo da vida e dos grandes empreendimentos que nós, pobres humanos, queremos levar a cabo.

E isto é arte? A pergunta é inevitável. E a resposta é a mesma para todos os gêneros: pode ser e pode não ser. No caso de Bad Taste, é. Escrito, produzido, dirigido e estrelado por Peter Jackson, o gênio do aclamado O Senhor dos Anéis, o filme em si é, para o espectador, um exercício de definição da arte do cinema. Nos primeiros momentos, não podemos deixar de pensar, a cada segundo: “e este idiota fazendo caretas é o diretor daquele épico-fantástico fenomenal, vencedor de 11 Oscars”. Como pode a mesma pessoa ter feito dois filmes tão diferentes? Mas logo começamos a ver como o Peter Jackson de Bad Taste já possui muitas das qualidades, neste ponto ainda em desenvolvimento, que estão em pleno funcionamento em O Senhor dos Anéis: a habilidade com efeitos especiais, a capacidade de criar um mundo completamente fantástico independente em si mesmo, a maneira como aborda monstros e seres sobrenaturais, o senso de humor irônico, etc.

Nos livros do Marquês de Sade, o sexo é gratuito e não é. É gratuito porque não poderia não ser, já que são páginas e páginas de atos obscenos que se seguem sem profundidade aparente. E não é gratuito porque, por trás desse aparente desperdício, há um exercício de linguagem: levando o sexo às últimas conseqüências, ele quer levar a literatura às últimas conseqüências. Como se somente a arte tornasse possível o orgasmo interminável que o sexo inviabiliza. Algo semelhante acontece em Bad Taste. Aqui, é o cinema que quer extravasar, expôr suas entranhas, se purificar. “O cinema pode tudo”, parece que Peter Jackson nos diz, “isso tudo pode ser dito através de imagens”. Ao mesmo tempo, o filme não quer nada. Quer apenas ser engraçado, estranho, medonho e nojento. Unir essas duas qualidades, conseguir comover o espectador com um monte de nojeiras e gosmas, não é tarefa fácil.

Praticamente todo o filme foi rodado nos arredores da casa de Peter Jackson. Os atores, quase todos, eram amigos do diretor, que, durante quatro anos, abriram mão de seus fins de semana para mergulhar em sangue falso e pisar em pedaços de cérebro. Ao todo, o longa (que, inicialmente seria um curta) custou 25 mil dólares e, em sua pós-produção, recebeu um investimento de aproximadamente 170 mil dólares da New Zealand Film Comission, para a finalização.

Com tão poucos recursos, Bad Taste é, tecnicamente, muito bem realizado. Especialmente se levarmos em conta que é o primeiro filme do diretor. Possui excelentes cenas, o som é perfeito, as atuações são impecáveis, os efeitos especiais são assustadoramente bons. Mesmo quando os temas são gratuitos, as imagens não são. Há sempre um cuidado, um perfeccionismo. Todas as idéias são puras e genuinamente transformadas em cinema.

Talento não aparece do nada. O Peter Jackson de O Senhor dos Anéis é, sem dúvida, o mesmo de Bad Taste. O que é engraçado e emocionante!

Wall-E

Admirável X Eterno

12 de Abril de 2009 @ 19:49 - Geral
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Avaliação: duas estrelas - duas estrelas

Um ET encontra no planeta Terra a carne perfeita para sua rede de Fast-Food. As empresas intergaláticas rivais não terão mais chance agora que ele possui matéria prima humana multiplicada por 4 bilhões. Mas ele não esperava que seus guerreiros alienígenas de terceira classe não seriam páreos para Derek e seu bando.

Bad Taste é um filme para se ver com os amigos aos 14 anos, bebendo Coca-Cola e rindo de cada cena nojenta ou dos efeitos trash. Todavia, se analisado por meio de argumentos, de maneira crítica, pode iniciar um longo e interessante debate.

Tendo em vista o que aconteceria com a carreira de Peter Jackson, quando Bad Taste se inicia, somos levados a abrir nossa mente e nos entregar à loucura do diretor. Afinal, este é o primeiro longa do homem por trás de um dos maiores empreendimentos cinematográficos da história: O Senhor dos Anéis.

Entretanto, ao término do filme surgem algumas dúvidas, enumeradas logo abaixo, na cabeça dos admiradores do eterno cineasta Hobbit, que geram uma discussão bastante relevante. Vamos a elas.

1 – Bad Taste é um bom filme de um grande cineasta ou é um filme curioso de um promissor técnico em efeitos especiais?
2 – Um filme pode ser considerado “bom” apenas porque alcançou os objetivos a que se propôs?
3 – Gostos pessoais à parte, a importância de um filme está atrelada à sua qualidade?

Buster Keaton, por exemplo, considerado por muitos o grande rival de Chaplin, revolucionou o cinema através de técnicas inovadoras e efeitos especiais que deixam boquiabertos quem quer que assista seus filmes. Nesse sentido ele pode ser considerado um gênio, mas isso não faz, necessariamente, que clássicos do cinema como Sherlock Jr. e Steamboat Bill, Jr. sejam grandes filmes. O que faz então?

O cinema, no seu início como hoje em dia, por ser um processo extremamente complexo e dispendioso, é uma arte para poucos. É de se admirar, por conseguinte, que entre seus pioneiros, Buster Keaton tenha se destacado por seus truques e sua forma ousada de filmar, mas nos clássicos de Chaplin a técnica revolucionária, ainda que existente, dá lugar a algo intocável; inexplicável. Isso pode ser chamado de magia do cinema. É provável que do embate Keaton X Chaplin possamos extrair, portanto, uma importante conclusão: a qualidade de eterno é o que faz de grandes produções, grandes filmes.

No filme de Peter Jackson, o domínio dos efeitos especiais, a naturalidade com que o roteiro se desenvolve e a preocupação com a edição são qualidades surpreendentes para um filme, evidentemente, de baixo orçamento, mas assim como seus defeitos, presentes nas atuações grosseiras (intencionalmente?) e na trilha sonora datada, não levam o filme ao inferno, suas qualidades definitivamente não o levam ao paraíso.

Bad Taste é um clássico do seu gênero. Mas é chato. Seus efeitos são supreendentes, entretanto, afora cenas antológicas, como aquela em que os alienígenas bebem o vômito de Robert (Jackson), ou a que Derek (também Jackson) amarra um sinto na cabeça para que sua nuca não descole, se revela um filme-teste, quase universitário, onde Jackson coloca seus amigos em situações inimagináveis para poder exercitar seu talento latente.

Tony Montana

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