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	<title>: : TUMDUM : : Desejo de Barulho</title>
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	<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 21:00:29 +0000</pubDate>
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		<title>Uma Boa Jogada de Marketing</title>
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		<pubDate>Mon, 25 May 2009 15:14:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Nossos Críticos</category>

		<category>Vinicius Pereira</category>

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		<description><![CDATA[Avaliação: 

Não fosse esse filme tão bom, o Dogma 95 não teria dado tanto que falar. Carregar o peso de ser o primeiro filme do manifesto é uma responsabilidade e tanto, nesse caso muito bem cumprida. Apesar de o movimento dinamarquês ser bastante picareta do ponto de vista estético, ele levanta uma bandeira bastante importante, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Avaliação: <a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg',160,26,'cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg" alt="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8" title="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8" /></a></p>
<div align="justify">
<p>Não fosse esse filme tão bom, o Dogma 95 não teria dado tanto que falar. Carregar o peso de ser o primeiro filme do manifesto é uma responsabilidade e tanto, nesse caso muito bem cumprida. Apesar de o movimento dinamarquês ser bastante picareta do ponto de vista estético, ele levanta uma bandeira bastante importante, se visto pelo lado da economia do cinema mundial. Criado por Lars Von Trier e pelo próprio diretor do Festa em Família, Thomas Vinterberg, o Dogma 95 bate de frente com o “engessamento” da estrutura cinematográfica, que acabou tornando a sétima arte muito cara e pouco inventiva.<br />
Festa em Família é de fato um filme simples, rodado apenas em uma locação, com uma câmera digital barata (uma DV), pouca iluminação artificial e sem efeitos especiais, o que lhe conferiu uma estética bastante interessante e, o mais importante, extremamente coerente com a dramaturgia do filme.<br />
A câmera solta quase que o tempo todo ajuda muito a dar o tom perturbador pretendido. A textura da imagem é a de um vídeo caseiro, cheia de ruído e sem profundidade de campo, avermelhada nos interiores e azulada do lado de fora, se aproximando do que seria uma filmagem amadora, feita por qualquer um daqueles personagens. Por outro lado, a montagem se assume como uma construção artificial, denunciando um domínio astuto de técnica que supera qualquer carência tecnológica.<br />
O roteiro é, entretanto, a peça principal do filme. No seu aniversário de 60 anos, Helge Klingenfeldt decide reunir um grande número de familiares para a celebração de uma festa, apesar mesmo da proximidade da morte de uma de suas filhas. Autoritário, todos lhe são bastante submissos, o que, porém, vamos percebendo aos poucos. Essa situação está prestes a mudar com o retorno de Christian, filho mais velho e gêmeo da irmã falecida e que havia saído de casa para morar na França.<br />
A narrativa vai nos apresentando os fatos de forma sutil, reconstruindo gradualmente o passado daquelas pessoas,  já que, frente a opressão paterna,  os personagens são incapazes de se expressar por si mesmos. Aos poucos somos apresentados a assuntos como suicídio, aborto, adultério e abuso sexual, crimes que corroem grande parte daquelas relações. Apesar da riqueza material da família, percebemos porém uma  pobreza de mentalidade, já que ninguém consegue deixar a posição de subjugado, além de muitos ostentarem hábitos vergonhosos como o racismo e o nazismo. A denúncias gravíssimas como estupro, pedofilia e incesto, os personagens reagem de forma indiferente, sem saber lidar com atitudes éticas que enfrentariam a autoridade do provedor.<br />
Michael, o filho mais novo, é a figura mais frágil entre todas. Fracassado financeiramente, ele se esforça o tempo todo para se impor diante de seu pai e assim conseguir o lugar de seu sucessor. Michael acata suas ordens sem questionar e age com sua esposa e filhas da mesma maneira autoritária como o pai sempre fazia com ele, seus irmãos e sua mãe. Ele ataca o namorado de sua irmã simplesmente para se sentir bem, afinal, um perdedor como ele, se não é melhor do que seus parentes, pelo menos deve ser superior a um negro. É através dele, entretanto, que temos a virada do jogo: somente quando Michael decide enfrentar o seu pai é que as coisas começam de fato a mudar naquela família.<br />
Por sua estrutura narrativa e até mesmo estética, Festa em Família me lembrou muito dois outros filmes, um anterior, chamado Cerimônia de Casamento, do Robert Altman, e o recém lançado Casamento de Rachel, de Jonathan Demme. Por seus aspectos sociais, Festa m Família parece levantar questões ainda bastante pertinentes, apesar de tão antigas ou absurdas (Josef Fritz que o diga).<br />
Agora, voltando ao Dogma 95 e ao seu voto de castidade, pode se dizer que o filme de Thomas Vinterberg deveria muito bem ser excomungado, já que quebra praticamente todos os paradigmas do manifesto. Ora, se nem o primeiro filme do movimento não conseguiu seguir a receita de bolo, ou melhor dizendo, os mandamentos dessa suposta seita, será que o Dogma 95 realmente  existiu ou foi apenas uma jogada de marketing, ao estilo bem hollywoodiano, do diretor pop Lars Von Trier e seus amigos dinamarqueses?<br />
&#8230;</p>
</div>
<p style="text-align: right;"><em>Vinicius Pereira</em></p>
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		<title>Filme da Semana XIV - Festa Em Família</title>
		<link>http://blog.tumdum.com/2009/05/18/filme-da-semana-xiv-festa-em-familia/</link>
		<comments>http://blog.tumdum.com/2009/05/18/filme-da-semana-xiv-festa-em-familia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 18 May 2009 14:48:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Principal</category>

		<category>Filme da semana</category>

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		<description><![CDATA[Na festa de aniversário de 60 anos de Helge Klingenfeldt, segredos de família desagradáveis são revelados.
Dados do filme:
Título original: Festen
Direção: Thomas Vinterberg
Ano: 1998
País: Dinamarca / Suécia
Duração: 105 min
Gênero: Drama





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			<content:encoded><![CDATA[<p>Na festa de aniversário de 60 anos de Helge Klingenfeldt, segredos de família desagradáveis são revelados.</p>
<p>Dados do filme:</p>
<p>Título original: Festen<br />
Direção: Thomas Vinterberg<br />
Ano: 1998<br />
País: Dinamarca / Suécia<br />
Duração: 105 min<br />
Gênero: Drama</p>
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		<title>Verdadeiro Herói</title>
		<link>http://blog.tumdum.com/2009/05/18/verdadeiro-heroi/</link>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2009 14:19:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Nossos Críticos</category>

		<category>Apoena Frota</category>

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		<description><![CDATA[Avaliação: 

Para quem desconhece os verdadeiros motivos da mudança do nome de Classius Clay para Muhamed Ali, é possível que não entenda também porque entre os dois lutadores negros os africanos optaram por Ali, e porque é tão significante sua reafirmação como ser humano.
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Avaliação: <a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg',160,26,'cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg" alt="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8" title="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8" /></a></p>
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<p>Para quem desconhece os verdadeiros motivos da mudança do nome de Classius Clay para Muhamed Ali, é possível que não entenda também porque entre os dois lutadores negros os africanos optaram por Ali, e porque é tão significante sua reafirmação como ser humano.</p>
<p>Nas décadas de 50 e 60 Malcom X esquentou as discussões sobre os direitos dos cidadãos afro americanos, conduzindo um movimento negro que apontava para três caminhos fundamentais: O Islamismo, a violência como método para auto defesa e o Socialismo. Cassius Clay, que em 64 já era vencendor dos jogos Olímpicos e campeão mundial dos pesos pesados, mudou seu nome nesse mesmo ano para Muhamed Ali, assumindo, virtualmente, o posto de principal representante da raça negra em todo mundo, devido principalmente à magnitude do esporte. </p>
<p>Em 1974 Muhamed Ali estava quase se aposentando, porém já havia se tornado uma lenda internacional, por seus feitos no esporte e por seu ativismo politico, enquanto George Foreman era, não apenas uma grande revelação do boxe, mas um lutador espetacular, considerado por muitos como imbatível.  Quando Don King, um dos maiores empresários do esporte de todos os tempos, idealizou a Rumble in The Jungle, uma luta entre esses dois fantásticos boxeadores no Zaire (hoje, República Democrática do Congo), talvez não tivesse noção de que aquele se tornaria um evento que transcenderia as barreiras do esporte. </p>
<p>É a partir deste ponto de vista que o documentário When We Were Kings, de 1996, investe sua narrativa. O ponto de vista da raça negra como um todo. Assim, é totalmente justificável a participação de Spike Lee, que além de toda sua contribuição para o reconhecimento do valor dos negros, impregnada em cada um de seus primeiros filmes, quatro anos antes havia adaptado para o cinema a autobiografia de Malcom X.  Em seu depoimento Lee alerta para a falta de memória dos americanos em relação a seus verdadeiros heróis. Embalado por essa definição, o diretor Leon Gast (que é branco, por sinal), estabelece desde o início um tratamento heróico para Ali. Um herói controverso e polêmico, cheio de autoconfiança, mas antes de mais nada, um herói. Desde sua chegada ao país africano, Ali dá início a uma estratégia inteligentemente planejada. Suas chances no ring, como todos sabem, não são muito grandes. Portanto, valem mais seus jogos psicológicos. </p>
<p>O longa mostra um George Foreman naturalmente mais calmo, mas que quando provocado é de colocar medo em qualquer um. Chegamos em um ponto onde ficamos em dúvida se o próprio Ali não estaria morrendo de medo. Entretanto, mesmo que fosse verdade, o próprio lutador não o sabia, protegido que estava com suas constantes afirmações sobre sua fácil vitória. </p>
<p>O clima de competição aumenta: Foreman se machuca quando estava treinando nas vésperas da luta, adiando o evento, o que significa um forte golpe na estratégia de Ali. Ficam todos aflitos com seus momentos de dúvida; será que ele vai desistir? </p>
<p>Don King estava preparado. Os artistas que havia chamado para um festival de música distraíram a atenção do público e dos jornalistas, que cada dia mais enchiam os quartos de hotel da cidade. BB King, Miriam Makeba, James Brown, The Crusaders. Todos negros e talentosíssimos.  Seria uma festa se não fossem os problemas sociais. Mobutu, presidente ditador do Zaire, resolveu de forma polêmica os problemas de sequestros e assassinatos que começavam a ocorrer na cidade com a chegada dos estrangeiros: Prendeu aleatoriamente cem pessoas, e como diz um entrevistado do filme, sorteou dez e matou friamente. A cidade se tornou instantaneamente uma das mais seguras do mundo.   </p>
<p>Em meio a toda polêmica e toda representatividade política do acontecimento, Muhamed Ali sobe ao ring com o apoio de 100% dos africanos. “Ali, mate ele” grita a massa. Mas o herói falastrão tem uma outra estratégia em mente:   Foreman precisa provar porque é o atual campeão, e parte pra cima, com uma vontade enorme de acabar com seu oponente, Ali, segura o quanto pode, e provoca a todo momento , cansando seu adversário física e, principalmente, psicologicamente.  É quando, finalmente, na primeira brecha que encontra, Ali consegue encaixar alguns golpes, o suficiente para nocautear Foreman. No momento em que a luta termina, é possível ver no rosto de Ali que nem ele acredita no que aconteceu. Muitos choram, outros gritam, é uma cena inesquecível.<br />
No final, mesmo que utilizando uma música que hoje soa datada, Leon Gast acerta em colocar imagens de toda carreira desse grande personagem de nossa história. É possível que alguns o achem arrogante, outros o declaram radical. O fato é que Ali representa o orgulho de um povo sacrificado pela ignorância do ser humano:  mais do que um artista, Ali é um verdadeiro herói.</p>
</div>
<p style="text-align: right;"><em>Apoena Frota</em></p>
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		<title>O Legado de Ali</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 21:56:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Nossos Críticos</category>

		<category>Paula Marchesini</category>

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		<description><![CDATA[Avaliação: 

Santa ignorância. Pela primeira vez, fiquei realmente feliz por não saber. Que bom ver com olhos novos a emblemática luta entre Muhammad Ali e George Foreman, como se estivesse acontecendo ao vivo. Que bom experimentar a cada segundo o suspense do próximo golpe, torcendo com toda a esperança por Ali, sofrendo a cada virada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Avaliação: <a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16_17_18_19_20_21_22_23_24.jpg" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16_17_18_19_20_21_22_23_24.jpg',160,26,'cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16_17_18_19_20_21_22_23_24.jpg" alt="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24" title="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24" /></a></p>
<div align="justify">
<p>Santa ignorância. Pela primeira vez, fiquei realmente feliz por não saber. Que bom ver com olhos novos a emblemática luta entre Muhammad Ali e George Foreman, como se estivesse acontecendo ao vivo. Que bom experimentar a cada segundo o suspense do próximo golpe, torcendo com toda a esperança por Ali, sofrendo a cada virada de Foreman. “Ali, Buma ye”, que bom experimentar essa primitiva adrenalina, esse fogo irracional que nos livra um pouco do peso intelectual e das crises de identidade do dia-a-dia. </p>
<p>Ali é um furacão. Um verdadeiro herói. Enquanto Malcolm X e Martin Luther King dialogavam com o mundo na tentativa de libertar os negros da escravidão mental que ainda sofriam fugindo da própria identidade para imitar os brancos, Ali arregaçava as mangas e fazia do seu esporte um verdadeiro instrumento político de afirmação, sem medo, sem justificativas, sem desculpas, soltando o verbo junto com seus jabs, diretos e ganchos, olhando o inimigo nos olhos, prevendo cada detalhe de sua vitória para torná-la real.</p>
<p>Fico me colocando no lugar dos negros que sofriam a cada dia a repressão social, muitas vezes sem ter coragem de enfrentar o problema, de levantar a voz, fico imaginando o que sentiam vendo aquele furacão lutando, vendo a maneira como demolia a tudo e a todos, como se colocava diante das câmeras, diante do governo norte-americano, sua beleza física, sua juventude, sua pureza de espírito. Fico me perguntando se é possível conquistar qualquer mudança sem radicalismo, sem alguém que chute o pau da barraca e saia xingando todo mundo, exigindo à força um lugar ao sol. </p>
<p>O grande mérito de um documentário baseado em fatos já conhecidos historicamente é conseguir criar suspense. O filme de Leon Gast é um exemplo nesse sentido. Desde o início, somos envolvidos por Ali, conquistados por ele. Ao mesmo tempo, sentimos uma profunda compaixão quando nos damos conta das grandes probabilidades de sua derrota para Foreman, é como se o heroismo de Ali estivesse sendo posto a prova: se ele ganhar, é mesmo o herói que parece ser, se não, que pena, é apenas humano, ainda que seja um grande homem. </p>
<p>As imagens reunidas pelo documentarista são tão raras que não nos assustamos ao descobrir que foi ele mesmo que filmou quase tudo, em 1974, mas acabou abandonando o projeto por conta de alguns processos legais que sofreu por parte dos financiadores do filme. Somente vinte e dois anos mais tarde, quando Ali já tinha sido atacado pelo mal que sofre até hoje, pode finalizá-lo.  Aliás, um dos méritos do filme é a maneira como aborda a doença do boxeador, a delicadeza de não exibi-lo em sua fragilidade, de manter seu reinado e deixar intacta a beleza de sua juventude. </p>
<p>Um dos méritos dos americanos é que estão sempre com uma boa câmera nas mãos. Eles têm plena consciência da riqueza da documentação de cada evento. Ainda que um acontecimento pareça não ter importância agora, eles sabem pensar a longo prazo, conhecem o valor do registro e da informação. When We Were Kings só aconteceu porque Gast teve essa visão, ele soube prever que a luta entraria para a história mundial. Talvez o filme seja tão dinâmico porque o próprio Gast não sabia o final da história quando começou a filmar. Como todos os personagens da época e todos os comentaristas esportivos, ele temia por Ali, temia que seu reinado finalmente fosse destruído, ainda que reservasse a Ali a possibilidade da vitória. </p>
<p>O embate Ali X Foreman mostra a transcendência do esporte. Prova que tudo é possível e que, na vida real, nada é exato, previsível ou mensurável. Quando vemos Foreman afundando o saco em seus treinos, quando vemos a diferença de tamanho entre os dois lutadores, pensamos: é impossível, Ali não tem chance. </p>
<p>O verdadeiro heroísmo é a superação das nossas próprias barreiras, da nossa própria dúvida e angústia. Para além da libertação racial e social dos negros, esse foi o legado desse grande lutador para toda a humanidade.    </p>
</div>
<p style="text-align: right;"><em>Paula Marchesini</em></p>
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		<title>Entretenimento</title>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 16:15:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Nossos Críticos</category>

		<category>Rodrigo Frota</category>

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		<description><![CDATA[Avaliação: 

O embate é dos maiores de todos os tempos. O campeão mundial de pesos pesados George Foreman lutando no Zaire contra o ex-campeão mundial e ativista político (?) Muhamed Ali. Ambos eram mitos do boxe americano, cada um com seu estilo. A potência de Foreman, contra a velocidade de Ali; a juventude do campeão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Avaliação: <a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_quatro_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16.jpg" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/quatro_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16.jpg',161,26,'quatro estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 - quatro estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_quatro_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16.jpg" alt="quatro estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 - quatro estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16" title="quatro estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 - quatro estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16" /></a></p>
<div align="justify">
<p>O embate é dos maiores de todos os tempos. O campeão mundial de pesos pesados George Foreman lutando no Zaire contra o ex-campeão mundial e ativista político (?) Muhamed Ali. Ambos eram mitos do boxe americano, cada um com seu estilo. A potência de Foreman, contra a velocidade de Ali; a juventude do campeão contra a experiência do ex-campeão; o silêncio de Foreman contra o marketing incessante de Ali. O palco foi armado com muita inteligência por Don king, e os dois lutadores protagonizaram um dos maiores eventos esportivos de todos os tempos. Não apenas pelas condições extra ringue, mas principalmente pelo que se desenrolou ali entre as quatro cordas.<br />
Leon Gast sabia disso e montou “When We Were Kings” com a consciência de que teria duas funções a cumprir com o documentário: trazer informações extras para os que conheciam a história do confronto, e transformar aquela luta em mito para quem ainda não a havia assistido. Sem dúvida alguma, Leon foi bem sucedido em ambas as tarefas.<br />
O diretor tinha em suas mãos uma grande história; bastava saber como formata-la para mitifica-la. A escolha me pareceu acertada: Gast seguiu a ordem cronológica dos fatos e deixou a luta para o final. O filme se desenrola como se estivesse no presente. O espectador assiste as cenas e cada informação que absorve traz mais ansiedade e curiosidade em saber como será a grande luta.<br />
Ali parece mais frágil do que a montanha de músculos que vai enfrentar e, por isso, o público começa a simpatizar e torcer pelo ex-campeão. Paulatinamente o espectador é praticamente forçado a tomar o lado de Muhamed. Era ele o negro que discursava a favor da classe e era ele o cidadão expulso de seu país por se negar a lutar na guerra. Mas Foreman era o favorito, era a potência em forma de lutador. Muhamed Ali não teria chance contra aquela direita.<br />
No entanto, Ali era competidor mestre em deixar o clima favorável. O lutador poderia escrever um livro de psicologia esportiva. Fica muito claro a maneira como ele manipula o cenário para trazer vantagens para si (e a imprensa cai). Em determinado momento parece que o que vai acontecer é a luta entre o gigante branco do mal contra o minúsculo negro do bem (ambos são negros americanos e pouco diferem em relação às suas concepções). Com sentenças muitas vezes etnocentristas, Ali não cansa de afirmar que se sente em casa na África e que a torcida o faria esmagar o seu adversário.<br />
E dessa maneira o documentário cria a atmosfera perfeita para o clímax final (como imagino que tenha acontecido na época do confronto). Uma luta milionária na África entre o bem e o mal. Shows de BB King e James Brown para celebrar a integração(?) entre o primeiro e o terceiro mundo. Um retardo de 6 semanas da data original porque Foreman se machucou treinando. Enfim, a espetacularização de cada mínimo detalhe.<br />
“When We Were Kings” é um grande documentário de entretenimento. Sua edição e montagem seguem um roteiro que manipula o espectador empurrando-o para a emoção. O filme, desde o título, assume Ali como escolhido e privilegiado (nada mais justo, já que o lutador foi um dos maiores de todos os tempos). Ainda assim, mostra traços íntimos da vida do ícone do boxe que fazem qualquer espectador mais atento questionar algumas verdades sobre Ali inquestionáveis, de longe.<br />
A luta é clássica, e se repete quase que mensalmente na ESPN pra quem nunca assistiu. Realmente o maior espetáculo se desenrolou mesmo em cima do ringue. Leon Gast optou por colocar poucas cenas da luta em si em seu trabalho. O resultado é interessantíssimo. Mas acredito que quem não conhece o embate por completo perde muito com a escolha do diretor, porque deixa de acompanhar a crescente ascensão de Muhamed Ali, que rege a torcida, sussurra provocações no ouvido de seu adversário e dá tapinhas na cabeça de Foreman, lentamente desconstruindo física e psicologicamente a muralha imbatível. </p>
</div>
<p style="text-align: right;"><em>Rodrigo Frota</em></p>
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		<title>Tracy Jordan, a versão do boxe</title>
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		<pubDate>Mon, 11 May 2009 16:28:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Nossos Críticos</category>

		<category>Vinicius Pereira</category>

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		<description><![CDATA[Avaliação: 


Bom? É &#8230; bom, mas não espetacular. Apesar da eficiência em narrar a história épica da luta entre Muhammad Ali e George Foreman no Zaire, o filme é constituído de alguns elementos que, de certa forma, me incomodaram, como, por exemplo, a presença de Spike Lee no documentário. Que diabos ele tem a ver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Avaliação: </p>
<p><a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_tres_estrelas_1_2_3_4_5_6.jpg" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/tres_estrelas_1_2_3_4_5_6.jpg',160,26,'tres estrelas 1 2 3 4 5 6 - tres estrelas 1 2 3 4 5 6'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_tres_estrelas_1_2_3_4_5_6.jpg" alt="tres estrelas 1 2 3 4 5 6 - tres estrelas 1 2 3 4 5 6" title="tres estrelas 1 2 3 4 5 6 - tres estrelas 1 2 3 4 5 6" /></a></p>
<div align="justify">
<p>Bom? É &#8230; bom, mas não espetacular. Apesar da eficiência em narrar a história épica da luta entre Muhammad Ali e George Foreman no Zaire, o filme é constituído de alguns elementos que, de certa forma, me incomodaram, como, por exemplo, a presença de Spike Lee no documentário. Que diabos ele tem a ver com aquele episódio da vida de Ali? Se esse era um filme sobe aquela luta, por que tantos outros personagens não foram entrevistados? E afinal, desculpem me a ignorância, mas quem é aquela mulher que canta várias vezes durante o filme? Faltou amarrar algumas pontas.<br />
Este é um documentário sobre e para Muhammad Ali. Nada contra a defesa unilateral do personagem, acho que a adoção de um ponto de vista é essencial e inevitável num documentário, porém o dirigismo maquiavélico entre o bom Muhammad e o branco George Foreman parece muitas vezes forçado demais. Não conheço a história toda de Foreman, mas, apesar da intenção do diretor, o simpático vendedor de grill dentro do filme não me pareceu tão diferente de seu oponente em sua personalidade, suas ambições, sua vaidade e mesmo em suas atitudes arrogantes. Tanto que, ao final do filme, a impressão que fiquei de Ali era de um cara extremamente chato, exibicionista, tagarela e egocêntrico, me remetendo muitas vezes ao Tracy Jordan, de 30 rock, aturável somente em um programa de humor satírico.<br />
Porque então esse homem é tão importante para o orgulho negro? Por que um cara tão prepotente e tão ignorante sobre sua própria raça e origem é motivo de tanto alvoroço político, de tanta bandeira? Eu acho que realmente não tenho essa resposta. Por exemplo, pra mim, os motivos de Muhammad Ali sobre a sua deserção na Guerra do Vietnã e quanto a sua “benevolência” em relação à África são, no mínimo, questionáveis. Ao que me parece, ele agiu nos dois casos pensando muito mais em si mesmo do que no coletivo, o que me faz perguntar: Qual o grande feito de Ali para a população do Zaire? Ora, a meu ver, deixar o dinheiro da luta naquele país foi o mínimo que ele poderia fazer depois de aceitar promover o ditador sanguinolento Mobutu. Se Muhammad Ali fez algo mais pelo Zaire depois de 74 o documentário não diz e eu realmente não pesquisei tão a fundo.<br />
Por outro lado, ver Muhammad Ali lutando é algo de tirar o fôlego de tão sensacional. A decisão do diretor de guardar todos os momentos do embate entre Foreman e Ali para o final do documentário foi definitivamente um grande acerto. Esse é o ponto alto da história, seu clímax para o qual a obra vai nos aquecendo durante toda sua extensão. A inteligência que achava faltar em Ali parece aflorar com toda a potência no momento em que ele sobe no ringue. Ele não luta só com os músculos, mas usa de todos os artifícios a que dispõe para vencer o oponente. Ele evoca a platéia e o cansaço de Foreman, o deixando furioso, não só com golpes desrespeitosos, mas psicologicamente o provoca e desestrutura ao sussurrar deboches no seu ouvido. Ao se deixar espancar, Ali deixa que Foreman se esgote, como se dissesse que nem a força brutal (sua maior arma), seria capaz de vencê-lo.<br />
Que Ali estava apavorado era obvio, era possível ler claramente em seu olhar, mas, como disse Che Guevara, numa guerra vence aquele que acredita mais, o que foi provado mais uma vez, já que essa era a luta da vida de Muhammad Ali.<br />
Em “Quando éramos reis” vemos um lutador verdadeiramente apaixonado pelo boxe, um sujeito mais interessado nas conquistas do que no dinheiro (o que  transformou Ali, como diz o filme, num dos últimos heróis da nossa época). Intrigante também ver a figura jovem de Don King, já naqueles tempos extremamente ganancioso, fato que nos faz entender a transformação pela qual o esporte profissional sofreu, através inclusive de sua figura, até os dias de hoje. Foi muito bom poder ver que o esporte nem sempre foi “tão” “tão” burocrático, cheio de assessores pessoais e financeiros, o que me encheu um pouco de esperança em relação ao futuro.<br />
Ah sim, já nos momentos finais do documentário toca uma musiquinha extremamente didática e de desnecessária, chamada “we are the kings”, que destoa completamente da trilha sensacional de BB King e James Brown, que se apresentaram no Zaire na mesma época da luta. Um filme que tinha tudo para terminar bem, acabou nocauteado pelo clichê no seu ultimo round.Uma lastima. </p>
</div>
<p style="text-align: right;"><em>Vinicius Pereira</em></p>
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		<title>Filme da Semana XIII</title>
		<link>http://blog.tumdum.com/2009/05/06/filme-da-semana-xiii/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 15:08:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Principal</category>

		<category>Filme da semana</category>

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		<description><![CDATA[Documentário sobre o legendário embate entre dois grandes campeões do boxe: Muhammed Ali e George Foreman. O chamado Rumble In The Jungle Heavyweight Championship ocorreu no Zaire, e o filme, dirigido por Leon Gast, foi premiado com a estatueta de melhor documentário no Oscar de 1997.
Dados do filme:
Título original: When We Were Kings
Direção: Leon Gast
Ano: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Documentário sobre o legendário embate entre dois grandes campeões do boxe: Muhammed Ali e George Foreman. O chamado Rumble In The Jungle Heavyweight Championship ocorreu no Zaire, e o filme, dirigido por Leon Gast, foi premiado com a estatueta de melhor documentário no Oscar de 1997.</p>
<p>Dados do filme:</p>
<p>Título original: When We Were Kings<br />
Direção: Leon Gast<br />
Ano: 1997<br />
País: EUA<br />
Duração: 89 min<br />
Gênero: Documentário</p>
<p><object width="425" height="344">
<param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/H6z8ORStE7c&#038;hl=pt-br&#038;fs=1"></param>
<param name="allowFullScreen" value="true"></param>
<param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/H6z8ORStE7c&#038;hl=pt-br&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object>
</p>
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		<title>Não Podemos Nos Esquecer Jamais</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 07:08:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Principal</category>

		<category>Filme da semana</category>

		<category>Nossos Críticos</category>

		<category>Apoena Frota</category>

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		<description><![CDATA[Avaliação: 

Uma memória formidável: um homem exposto a milhares de balas de metralhadoras dispara sua arma em todas as direções, desviando da morte como se estivesse dançando. No fundo, um enorme poster do extremista cristão Bashir Gemayel – Valsa com Bashir.
Por intermédio de imagens esteticamente belas como essa Ari Folma tem acesso ao subconsciente de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Avaliação: <a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg',160,26,'cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8.jpg" alt="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8" title="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8" /></a></p>
<div align="justify">
<p>Uma memória formidável: um homem exposto a milhares de balas de metralhadoras dispara sua arma em todas as direções, desviando da morte como se estivesse dançando. No fundo, um enorme poster do extremista cristão Bashir Gemayel – Valsa com Bashir.</p>
<p>Por intermédio de imagens esteticamente belas como essa Ari Folma tem acesso ao subconsciente de personagens que fizeram parte do massacre de Sabra e Shatila. Não por acaso, o diretor prefere levá-las à tela usando o recurso da animação, ganhando liberdade para representar tanto as personagens quanto seus sonhos e memórias. Paradoxalmente, com a animação ele consegue que tenhamos uma noção ainda maior da realidade, nos aproximando de um evento tão brutal como comum de qualquer guerra. Por se tratar de um evento real conclui-se que seja um filme naturalmente envolvente, mas o desgaste causado pelas produções hollywoodyanas inspiradas em casos reais promove uma busca por uma linguagem original, não banalizadora.  Neste sentido, talvez estejamos diante de um dos maiores e melhores exemplos de filme ficcional/documental, gênero que, de certa forma, rearranja o cinema contemporâneo.</p>
<p>Irremediavelmente envolvido do início ao fim o espectador descobre, junto com Ari, imagens perdidas de uma guerra difícil de esquecer. A fim de reconstruir uma dolorosa  memória, ele sai em busca de veteranos da guerra. Seu objetivo é, na verdade, acabar com um incômodo sentimento de culpa, que ele carrega há mais de 20 anos e reprime: Ele não se lembra de nada, a não ser pequenas cenas que podem muito bem ser falsas. Seus encontros são reveladores, mas sua culpa continua viva quando ele descobre que seus ex-companheiros somente se recordam de fatos específicos que aconteceram com cada um deles. Ao entrar em suas recordações temos acesso a um mundo onde o real e a fantasia se misturam, característico de uma situção naturalmente absurda de guerra, onde a imaginação pode se tornar a melhor defesa. </p>
<p>O filme se torna ainda mais interessante quando nos deparamos com as possibilidades de linguagem utilizadas por Folma. Apesar de implícita, a pergunta “é documentário ou não?” jamais se torna um obstáculo. De fato, o diretor parece realmente não se preocupar com isso, misturando memórias a diálogos e ainda tornando útil o artifício da entrevista. Desta forma, seus personagens narram suas aventuras e decepções de maneira livre e emocionante. </p>
<p>A naturalidade com que tudo se funde é o grande mérito de Ari Folma. Seus métodos são originais e sua linguagem, apesar de alternativa, é perfeitamente acessivel, importante para um filme que se pretende descobrir mas acaba transmitindo essa vontade para o espectador.A mensagem é pertinente: O mundo não pode desprezar histórias como essas por serem desagradáveis ou absurdas. A presonagem tentou reconstruir sua memória, Ari as passou ao mundo.</p>
</div>
<p style="text-align: right;"><em>Tony Montana</em></p>
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		<title>O Sublime Espetáculo da Guerra</title>
		<link>http://blog.tumdum.com/2009/04/27/o-sublime-espetaculo-da-guerra/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 06:47:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Principal</category>

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		<description><![CDATA[Avaliação: 

Não entendo essa mania de alguns de ter que rotular os filmes, seccioná-los, coisa que hoje em dia está ficando cada vez mais esdrúxula. É o caso de Valsa com Bashir, uma “animação documentário” (pois é, é isso mesmo). O grande alvoroço em torno do dispositivo adotado não passa, entretanto, de uma grande jogada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Avaliação: <a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16_17_18_19_20_21_22_23.jpg" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16_17_18_19_20_21_22_23.jpg',160,26,'cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_cinco_estrelas_1_2_3_4_5_6_7_8_9_10_11_12_13_14_15_16_17_18_19_20_21_22_23.jpg" alt="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23" title="cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23" /></a></p>
<div align="justify">
<p>Não entendo essa mania de alguns de ter que rotular os filmes, seccioná-los, coisa que hoje em dia está ficando cada vez mais esdrúxula. É o caso de Valsa com Bashir, uma “animação documentário” (pois é, é isso mesmo). O grande alvoroço em torno do dispositivo adotado não passa, entretanto, de uma grande jogada de marketing do diretor, afinal, o estranhamento chama logo a atenção daqueles que acreditam serem esses gêneros conflitantes. </p>
<p>A afirmativa, porém, não tira de forma alguma qualquer mérito do filme em questão, que, aliás, tem seu grande charme e diferencial na estética adotada. A animação permite ao diretor ser extremamente subjetivo, ilustrar sonhos, sensações e delírios de forma que somente uma ficção poderia fazer (porém, provavelmente com menor eficácia). A sereia gigante do filme, ao mesmo tempo símbolo da mão protetora e da mulher desejada, certamente ficaria tosca se feita por um designer gráfico e seu computador de ponta, por exemplo.</p>
<p>A escolha estética pela animação se baseia no depoimento de um personagem que, durante o filme, afirma que qualquer memória pode ser artificialmente bloqueada ou construída pela mente humana. Partindo desse pressuposto, o uso irrestrito de imagens “reais” deixa de fazer sentido para esse documentário, baseado completamente nas percepções e memórias dos sobreviventes da guerra. </p>
<p>O uso do desenho animado confere uma liberdade quase expressionista e onírica ao filme, principalmente pelas cores que ilustram os céus, o mar, os tons de pele e tudo mais. Sem perder o seu compromisso com o real e a relevância do tema retratado, o filme se permite assim abusar de uma linguagem estética completamente inovadora. </p>
<p>A fotografia, ao mesmo tempo realista e artificial, é signo e resumo do turbilhão de emoções que é transmitido pelos depoimentos dos entrevistados. Inspirado em ícones pops, HQ’s, no Noir e mesmo em aventuras épicas como Apocalipse Now, Ari Folman alcança aqui um resultado estético e semântico interessantíssimos. A exemplo de Francis Coppolla, a trilha sonora mistura o pop com o clássico, colocando em embate a ingenuidade e os sonhos de jovens guerrilheiros com a realidade sanguinolenta, porém, sublime (no sentido kantiano) da guerra. </p>
<p>Ora, o que é um indivíduo se não um ser impotente diante da força devastadora do combate armado? Explosões, tiros, mortes e outras situações extremas de um campo de batalha faz o homem refletir sobre a sua finitude, sua pequenez diante do mundo e da insignificância das suas questões terrenas. Por outro lado, a guerra eleva sua consciência, estimula sua inteligência, sua superação, sua capacidade de prever, seu senso de estratégia, seu instinto de sobrevivência, deixando-o completamente à flor da pele.</p>
<p>Talvez por isso tudo é que existem tantos filmes sobre o tema, afinal, bombas, tiros, exércitos e todo tipo de signo de guerra são recursos extremamente espetaculares (em todos os sentidos da palavra), com inegável capacidade de arrancar emoções do público.Valsa com Bashir é um mesmo um espetáculo, uma dança de valsa que enche nossos olhos e ouvidos com seus tiros e explosões, mas principalmente com suas cores, seus traços, movimentos de câmera e transições, com sua trilha e seus efeitos sonoros que orquestram a obra como uma verdadeira ópera.</p>
<p>Ao fim do filme, porém, Ari Folman prefere as imagens documentais do massacre ocorrido naquele ano no Líbano. A crueza dos vídeos nada glamourosos filmados em 82 contrasta com a plasticidade dos desenhos modernos e mostra que o diretor não quis fazer somente um filme pop, mas buscou principalmente chamar a atenção para a crueldade da guerra, seus devastadores efeitos físicos, materiais e mentais sobre aqueles que a presenciaram. Casas e prédios destruídos, pessoas mutiladas, parentes e amigos mortos: o fantasma da guerra é sempre muito forte e pode assolar por muitos anos uma população que já a viveu um dia.</p>
</div>
<p style="text-align: right;"><em>Carmen Sandiego</em></p>
<p><a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.resized_imagem.JPG" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/imagem.JPG',577,414,'imagem - imagem'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.resized_imagem.JPG" alt="imagem - imagem" title="imagem - imagem" /></a></p>
<p>Eu ao lado de um antigo e luxuoso hotel, abandonado em função da independència e da guerra civil Moçambicana.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Foi Por Pouco&#8230;</title>
		<link>http://blog.tumdum.com/2009/04/26/foi-por-pouco/</link>
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		<pubDate>Sun, 26 Apr 2009 19:11:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Geral</dc:creator>
		
		<category>Principal</category>

		<category>Filme da semana</category>

		<category>Nossos Críticos</category>

		<category>Paula Marchesini</category>

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		<description><![CDATA[Avaliação: 

Quando um filme é original e, desde a primeira cena, traz um design e uma linguagem completamente inovadores, a tentação de dar cinco estrelas é grande. No caso da animação, talvez, tanto mais, porque ela é um símbolo total, isto é, mesmo os personagens são simbolizados. No caso de Valsa Com Bashir, por exemplo, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Avaliação: <a href="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_tres_estrelas_1_2_3_4_5.jpg" onclick="lw_image_popup('http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/tres_estrelas_1_2_3_4_5.jpg',160,26,'tres estrelas 1 2 3 4 5 - tres estrelas 1 2 3 4 5'); return false;"><img src="http://blog.tumdum.com/up/t/tu/blog.tumdum.com/img/.thumb_tres_estrelas_1_2_3_4_5.jpg" alt="tres estrelas 1 2 3 4 5 - tres estrelas 1 2 3 4 5" title="tres estrelas 1 2 3 4 5 - tres estrelas 1 2 3 4 5" /></a></p>
<div align="justify">
<p>Quando um filme é original e, desde a primeira cena, traz um design e uma linguagem completamente inovadores, a tentação de dar cinco estrelas é grande. No caso da animação, talvez, tanto mais, porque ela é um símbolo total, isto é, mesmo os personagens são simbolizados. No caso de <em>Valsa Com Bashir</em>, por exemplo, que, além de animação é um documentário autobiográfico, as pessoas envolvidas se tornam, primeiro personagens e, em seguida, desenhos animados. Portanto, há um romantismo intrínseco a este filme, no sentido de que tudo é poetizado visualmente, que quase deixa passar pequenas escolhas mal-sucedidas do roteiro e da trilha sonora.</p>
<p>Mas a excelente idéia de um documentário animado, ainda que trate de um assunto tão importante historicamente quanto a invasão do Líbano e se valha da sempre cativante questão da memória, não se sustentou até o final. Houve algumas concessões a uma estética vendável ou pop que resultaram em cenas de mal gosto destoantes do que há de admirável no filme, como aquelas em que os soldados se divertem no meio do combate, cantando músicas que incitam o espírito de guerra (já tão desgastadas em filmes americanos do gênero) ou a cena em que um oficial assiste a um filme (ou desenho) pornô na televisão, enquanto reflete sobre a morte de Bashir. São momentos de uma pobreza estética e literária irritante que não servem para nada: não divertem, não contribuem, não emocionam&#8230; nada. Como nesses livros best-seller que têm de se encher de partes vazias para cumprir um número mínimo de páginas. </p>
<p>Fora estes imperdoáveis deslizes que serviram mais para encher linguiça e para tentar agarrar a sensibilidade do espectador de uma maneira barata (mostrando os já conhecidos horrores da guerra em um tom pra lá de batido) do que para contribuir ao exercício de memória do protagonista do filme - que é o motor do enredo - <em>Valsa Com Bashir</em> tem momentos inesquecíveis. A cena em que um dos veteranos se recorda de sua experiência no barco a caminho da invasão, quando tem crises de vômito e alucinações, por exemplo. Ou a que outro veterano conta como nadou quilômetros para se salvar.</p>
<p>Transformar uma história de guerra em animação é enriquecê-la inestimavelmente. O que há de brutal em uma guerra é justamente sua realidade arrebatadora e inescapável, sua concretude impenetrável na qual o ser humano perde toda a sua profundidade e torna-se precisamente um soldado, uma máquina com apenas um objetivo: vencer, custe o que custar. Para isso, é preciso atropelar tudo o que constrói sua identidade: sua memória, seus desejos, seus sonhos, suas emoções. Mas esse atropelamento dá uma dimensão fantástica à realidade bruta da guerra. Como é possível que exista tal momento? Como é possível que coisas tão horrorosas e, em grande parte, tão desnecessárias, tenham feito parte de nossa história? O recurso da animação em si é uma resposta. Como se o diretor achasse o filme um recurso real demais, ou de menos, e tivesse de lançar mão de uma maneira mais autoral, mais simbólica de retratar sua experiência. </p>
<p>Por outro lado, é uma maneira de preservar a si mesmo e aos seus companheiros veteranos da exposição que é o registro filmado. Portanto, é um recurso de polidez, uma forma de respeito. Um de seus amigos lhe diz: “pode desenhar à vontade, só não pode filmar”. Além disso, a animação rompe de cara o compromisso com a veracidade dos fatos apresentados. A própria questão da memória faz isso. Todas aquelas histórias são memórias,são tentativas pessoais e limitadas de recordar traumas passados há mais de vinte anos. Memórias são sempre pessoais, sempre um tanto irreais, um pouco como uma animação.</p>
<p><em>Valsa Com Bashir</em> é um filme nostálgico. Seus amarelos e cinzas melancólicos revelam o indefinível de uma experiência traumática como a guerra. Uma escolha acertada, genial, mas que poderia ter sido mais desenvolvida.  </p>
</div>
<p style="text-align: right;"><em>Wall-E</em></p>
]]></content:encoded>
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