Não Podemos Nos Esquecer Jamais

27 de Abril de 2009 @ 05:08 - Geral
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Avaliação: cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8

Uma memória formidável: um homem exposto a milhares de balas de metralhadoras dispara sua arma em todas as direções, desviando da morte como se estivesse dançando. No fundo, um enorme poster do extremista cristão Bashir Gemayel – Valsa com Bashir.

Por intermédio de imagens esteticamente belas como essa Ari Folma tem acesso ao subconsciente de personagens que fizeram parte do massacre de Sabra e Shatila. Não por acaso, o diretor prefere levá-las à tela usando o recurso da animação, ganhando liberdade para representar tanto as personagens quanto seus sonhos e memórias. Paradoxalmente, com a animação ele consegue que tenhamos uma noção ainda maior da realidade, nos aproximando de um evento tão brutal como comum de qualquer guerra. Por se tratar de um evento real conclui-se que seja um filme naturalmente envolvente, mas o desgaste causado pelas produções hollywoodyanas inspiradas em casos reais promove uma busca por uma linguagem original, não banalizadora. Neste sentido, talvez estejamos diante de um dos maiores e melhores exemplos de filme ficcional/documental, gênero que, de certa forma, rearranja o cinema contemporâneo.

Irremediavelmente envolvido do início ao fim o espectador descobre, junto com Ari, imagens perdidas de uma guerra difícil de esquecer. A fim de reconstruir uma dolorosa memória, ele sai em busca de veteranos da guerra. Seu objetivo é, na verdade, acabar com um incômodo sentimento de culpa, que ele carrega há mais de 20 anos e reprime: Ele não se lembra de nada, a não ser pequenas cenas que podem muito bem ser falsas. Seus encontros são reveladores, mas sua culpa continua viva quando ele descobre que seus ex-companheiros somente se recordam de fatos específicos que aconteceram com cada um deles. Ao entrar em suas recordações temos acesso a um mundo onde o real e a fantasia se misturam, característico de uma situção naturalmente absurda de guerra, onde a imaginação pode se tornar a melhor defesa.

O filme se torna ainda mais interessante quando nos deparamos com as possibilidades de linguagem utilizadas por Folma. Apesar de implícita, a pergunta “é documentário ou não?” jamais se torna um obstáculo. De fato, o diretor parece realmente não se preocupar com isso, misturando memórias a diálogos e ainda tornando útil o artifício da entrevista. Desta forma, seus personagens narram suas aventuras e decepções de maneira livre e emocionante.

A naturalidade com que tudo se funde é o grande mérito de Ari Folma. Seus métodos são originais e sua linguagem, apesar de alternativa, é perfeitamente acessivel, importante para um filme que se pretende descobrir mas acaba transmitindo essa vontade para o espectador.A mensagem é pertinente: O mundo não pode desprezar histórias como essas por serem desagradáveis ou absurdas. A presonagem tentou reconstruir sua memória, Ari as passou ao mundo.

Tony Montana

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