Sublime

19 de Abril de 2009 @ 22:19 - Geral
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Avaliação: cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8 - cinco estrelas 1 2 3 4 5 6 7 8

Amparado por uma trilha espetacular, Morte a Venezia é uma poderosa adaptação do livro homônimo de Thomas Mann e chama a atenção pela discreta erudição, mas principalmente, por sua imanente e ousada busca pela beleza.

Assim como o diretor do filme, Luchino Visconti, seu personagem principal, o compositor alemão Gustav von Aschenbach, aqui vivido por Dirk Bogarde, faz de sua vida uma busca incessante pela perfeição artística da beleza.

Repleta de imagens sublimes, a produção investe toda sua narrativa em uma linguagem sutil que prefere gestos, olhares, cores e paisagens a dialogos detalhados e mantém uma atmosfera cheia de simbolismos e mistério.

Acompanhamos, no início do longa, a chegada à Veneza de um compositor cansado e frustrado. Hesitante diante de suas limitações e incapaz de compor ele passa a observar os outros hóspedes do hotel. É aí que, ansioso por alguma resposta, Gustav passa a flertar com Tadzio, um adolescente de uma família francesa. Seu martírio começa quando ele acredita que encontrou, na pureza de Tadzio, a beleza que tanto almejava para sua música. Confuso e solitário Gustav deixa que seus anseios se transformem em uma perigosa obsessão.

Paralelamente, um outro arco dramático se desenvolve: Veneza pode estar contaminada por uma praga mortal. Assustado com a possibilidade, Gustav se dedica a investigar o caso, mas nunca obtém uma confirmação. O que de certa forma deixa-o com a ilusão de que algo maior está acontecendo, desviando sua racionalidade para o fato, enquanto sua alma resta desamparada. (É importante aqui evidenciar a impecavél performance de Bogarde. Seu olhar ambíguo e a maneira com que representa a fraqueza do personagem é convincente, além de original).

Assim, Gustav encontra- se inesperadamente cercado por uma condição emotiva - seu relacionamento platônico com o menino - e o risco de ser contaminado pela tal doença. Ele não tem coragem de se aproximar de Tadzio, mas também é incapaz de sair de Veneza. Sua impertinência o leva a beira da loucura. A medida que suas aventuras ganham novo vigor ele se veste de homem mais novo, escurecendo os cabelos, criando em si uma esperança falsa e desafinada que o transforma em algo próximo de um fantasma, que assombra mas nunca chega, de fato, a se fazer presente.

Sua loucura evolui a ponto de não ser mais possível distinguir entre doença e paixão. A peste que provavelmente o afligiu não vai além da danação do corpo, porque a alma de Gustav já está completamente tomada pela fatal ilusão da beleza.

Morte a Venezia é um filme inesquecível. Luchino Visconti se destaca principalmente por sua sabedoria. Ao optar por uma linguagem totalmente literária, ele alcança um cinema ímpar e belo. Seu filme, apesar de forte e marcante, é caracterizado por sua leveza e engenhosidade. Mesmo as cenas mais dramáticas são cheias de vazio e livres de interpretações limitativas. Hábil, o diretor consegue estabelecer ao longo de todo filme um paralelo entre as imagens, que quase tranbordam da tela, e o olhar de seu personagem principal.

Tony Montana

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