Admirável X Eterno

12 de Abril de 2009 @ 19:49 - Geral
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Avaliação: duas estrelas - duas estrelas

Um ET encontra no planeta Terra a carne perfeita para sua rede de Fast-Food. As empresas intergaláticas rivais não terão mais chance agora que ele possui matéria prima humana multiplicada por 4 bilhões. Mas ele não esperava que seus guerreiros alienígenas de terceira classe não seriam páreos para Derek e seu bando.

Bad Taste é um filme para se ver com os amigos aos 14 anos, bebendo Coca-Cola e rindo de cada cena nojenta ou dos efeitos trash. Todavia, se analisado por meio de argumentos, de maneira crítica, pode iniciar um longo e interessante debate.

Tendo em vista o que aconteceria com a carreira de Peter Jackson, quando Bad Taste se inicia, somos levados a abrir nossa mente e nos entregar à loucura do diretor. Afinal, este é o primeiro longa do homem por trás de um dos maiores empreendimentos cinematográficos da história: O Senhor dos Anéis.

Entretanto, ao término do filme surgem algumas dúvidas, enumeradas logo abaixo, na cabeça dos admiradores do eterno cineasta Hobbit, que geram uma discussão bastante relevante. Vamos a elas.

1 – Bad Taste é um bom filme de um grande cineasta ou é um filme curioso de um promissor técnico em efeitos especiais?
2 – Um filme pode ser considerado “bom” apenas porque alcançou os objetivos a que se propôs?
3 – Gostos pessoais à parte, a importância de um filme está atrelada à sua qualidade?

Buster Keaton, por exemplo, considerado por muitos o grande rival de Chaplin, revolucionou o cinema através de técnicas inovadoras e efeitos especiais que deixam boquiabertos quem quer que assista seus filmes. Nesse sentido ele pode ser considerado um gênio, mas isso não faz, necessariamente, que clássicos do cinema como Sherlock Jr. e Steamboat Bill, Jr. sejam grandes filmes. O que faz então?

O cinema, no seu início como hoje em dia, por ser um processo extremamente complexo e dispendioso, é uma arte para poucos. É de se admirar, por conseguinte, que entre seus pioneiros, Buster Keaton tenha se destacado por seus truques e sua forma ousada de filmar, mas nos clássicos de Chaplin a técnica revolucionária, ainda que existente, dá lugar a algo intocável; inexplicável. Isso pode ser chamado de magia do cinema. É provável que do embate Keaton X Chaplin possamos extrair, portanto, uma importante conclusão: a qualidade de eterno é o que faz de grandes produções, grandes filmes.

No filme de Peter Jackson, o domínio dos efeitos especiais, a naturalidade com que o roteiro se desenvolve e a preocupação com a edição são qualidades surpreendentes para um filme, evidentemente, de baixo orçamento, mas assim como seus defeitos, presentes nas atuações grosseiras (intencionalmente?) e na trilha sonora datada, não levam o filme ao inferno, suas qualidades definitivamente não o levam ao paraíso.

Bad Taste é um clássico do seu gênero. Mas é chato. Seus efeitos são supreendentes, entretanto, afora cenas antológicas, como aquela em que os alienígenas bebem o vômito de Robert (Jackson), ou a que Derek (também Jackson) amarra um sinto na cabeça para que sua nuca não descole, se revela um filme-teste, quase universitário, onde Jackson coloca seus amigos em situações inimagináveis para poder exercitar seu talento latente.

Tony Montana

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