Che Guevara Não Morreu
5 de Abril de 2009 @ 23:26 - GeralArquivado sob Principal, Filme da semana, Nossos Críticos, Apoena Frota | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Che Guevara não morreu. Ou melhor, como Jesus Cristo há dois mil anos, ele ressucitou!
Perdido entre farofas e filmecos-de-sessão-da-tarde-repletos-de-galãs-exercitando-seu-gigantesco-ego, o famoso diretor norteamericano Steven Soderbergh, ao cruzar com o grande mito do século passado, não pôde acreditar na sua sorte e propôs ao barbudo reviver todas as aventuras de outrora.
Para surpresa de todos, chegando a Cuba, Fidel Castro, rejuvenescido como o marido de Angelina Jolie em Benjamin Button (até onde chega a tecnologia dos efeitos especiais, meu Deus) os esperava ansiosamente para seu primeiro encontro. O assunto - já que quase nada havia mudado - era exatamente o mesmo: o (anti) imperialismo dos Estados Unidos.
Soderbergh (que nunca foi bobo), com sua câmera digital em riste, perseguiu o Dr Guevara mata adentro como se estivesse relendo um romance pela quarta vez, de forma que conseguia antecipar cada uma de suas crises asmáticas, além de, é evidente, cada passo importante da famosa revolução. É contagiante ver que a medida que os cabelos e a barba do nosso herói crescem, aumentam sua determinação e confiança, assim como a de todos os que o seguem.
Fidel está tão convincente como Fidel que em dado momento seu coração vermelho volta a bater valente tornando o projeto do americano um arriscado empreendimento: naquela selva afastasda do mundo globalizado, a revolução cubana renasceu.
Desprevenido, Soderbergh mostra que não está habituado a filmar documentários, entretanto, por também passar por um momento de redescoberta pessoal, encontra planos belíssimos, fazendo justiça à coragem daqueles guerrilheiros.
O carisma de Guevara é tão evidente que Rodrigo Santoro, voltando de um breve período de férias no caribe, cruzou com o bando e não só aprendeu a falar espanhol e a fumar charuto como vestiu um bigodinho característico e gritando viva la revolución, acreditou piamente que era irmão de Fidel – história que o espectador teve mais dificuldade para cair… Inclusive, Santoro teria declarado em entrevista à Monet que teve que fazer terapia para voltar a si e que se sentiu novamente em Bicho de Sete Cabeças.
Depois de conseguir reunir algumas dezenas de seguidores com sua inquestionável e histórica liderança, surpreendendo também aos espectadores, o Tiradentes argentino, tomado por uma revolta renovada, parte em direção à cidade. Recebido pelo povo como um messias, El “Che” não perde o foco e demonstra, mais uma vez, a fraqueza de um sistema colonizado e hipócrita.
Sem descolar da lenda um minuto sequer, o diretor ainda consegue registrar cenas antológicas da chegada de Che à Nova York. Seu discurso na ONU, apesar de manter rigorosamente os mesmos argumento de tantos anos atrás, é hoje em dia, provavelmente, ainda mais relevante. O representante dos Estados Unidos que o diga!
Diferente do que muitos imaginam, Che Guevara não se apresenta como um astro do rock, com opiniões controversas e atitudes polêmicas. Sua droga é a verdade e na entrevista à novaiorquina fica claro, assim como em toda sua trajetória, que a verdade o traz serenidade. Se devidamente questionado, o imortal revolucionário diria sem tirar sua famosa boina: “se pudesse voltar atrás faria tudo de novo“. Volte sempre, Che!
Tony Montana
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