O Primeiro Passo
23 de Março de 2009 @ 01:05 - GeralArquivado sob Principal, Filme da semana, Nossos Críticos, Apoena Frota | Link desta publicação | Enviar por e-mail
As crianças são filósofos por natureza. Suas questões são essenciais. E as respostas que o mundo oferece nunca serão suficientes. O que resta então são certezas vazias, crenças transitórias apoiadas no conceito de aceitação da sociedade em que vivemos. Conformados, vivemos com um buraco em nossas “almas”, que nos acompanha como um fantasma desafiando nossa “fé” contantemente.
À medida que amadurecemos, endurecemos. Levantamos barreiras em torno de tudo o que conquistamos, afinal, o que somos senão aquilo em que acreditamos? É assim que escolhemos nossos amigos, nossos trabalhos. É esse conhecimento que vamos passar para nossos filhos, e eles para os nossos netos, e assim por diante.
Mas será que nossas decisões, nem sempre tão confiantes, são geradas de acordo com o que sentimos? Até onde temos controle dos nossos sentimentos?
Sim, devemos voltar a questionar. Ou melhor, nunca deveríamos ter abandonado a filosofia. Ainda temos muitas perguntas a fazer. Quando as respostas que nos deram, não são mentirosas, são prejudiciais, pois, se é necessário humildade para aceitar as dúvidas que todos nós temos, é também importante que tenhamos consciência do que, de fato, observamos: vivemos em um mundo de sofrimento, guerra e fome. Grande parte da humanidade vive em condições subumanas. E se fomos capazes de aprender a ignorá-las, precisamos, em vista disso, descobrir o que mais aprendemos de errado.
Zeitgeist – The Movie, visto por esse ângulo, pode ser considerado um trabalho filosófico. Sua argumentação é clara: precisamos acordar. Como na alegoria de Platão, estamos presos em uma caverna, acreditando que as sombras projetadas na parede são a realidade.
Somos treinados a olhar somente para o próprio umbigo. Em consequência disso, o mundo em que vivemos e nossa própria condição de existência estão se deteriorando.
Muito mais do que querer provar a veracidade da difamada Teoria da Conspiração, Peter Joseph, diretor, escritor e editor do polêmico documentário, quer jogar luz sobre o fato de que aceitamos fácil demais o que nos é imposto pela “sociedade” através da mídia. A reação comum de quem assiste esse filme é a de perguntar de onde surgiram aquelas informações, e quais são as intenções do diretor, apresentando um surpreendente ceticismo que não aplica a outras situações.
O medo de estar sendo enganado é muitas vezes uma falta de coragem de mudar. Ao assistir Zeitgeist temo que muitas pessoas irão afirmar que é simplesmente um filme anti-religioso, anti-americano, anti-imperialista, e, por não concordarem com alguma parte, dêem por mentirosas todas as outras, enquanto o que me parece que proporcionou, em primeira instância, a confecção do documentário, foi uma insatisfação com a situação atual em que vivemos aliada à facilidade de pesquisa que existe hoje em dia devido a internet (que fez surgir, inclusive, diversos outros recentes documentários com a mesma temática).
Não é tão importante a veracidade de cada uma das informações transmitidas por Joseph em seu primeiro documentário, tendo em vista sua proposta essencial: é preciso que abramos nossos olhos; é importante que estejamos dispostos a mudar, e para isso, o primeiro passo é questionar.
Tony Montana
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