O Que É Arte?
15 de Março de 2009 @ 22:47 - GeralArquivado sob Principal, Filme da semana, Nossos Críticos, Apoena Frota | Link desta publicação | Enviar por e-mail
A arte e o artista são inimigos mortais. Escondida em situações rotineiras e, muitas vezes, disfarçada de entretenimento, a arte é difícli e cruel. Cabe ao artista a impossível missão de encontrá-la, entendê-la e finalmente, explicá-la. Esta busca é sua agonia; basicamente, sua vida. Podemos então afirmar, de forma livre, que a vida do artista – sua jornada – é uma obra de arte. Se agora temos a ilusão de entender o que significa ser um artista, nos falta apenas a resposta para a pergunta primordial: O que é arte?
A vida de cada um de nós é um filme no qual ninguém nos interpretaria melhor do que nós mesmos, certo? Bem, para Charlie Kaufman não é tão simples assim. Em Synedoche New York, o diretor de teatro Caden Cotard, interpretado por Philip Seymour Hoffman, ao se deparar consigo mesmo, devido a uma insuportável solidão, decide montar um espetáculo grandioso, no qual ele poderia finalmente mostrar o seu verdadeiro eu. Ele aluga um galpão(fantasticamente) enorme e tenta, com a ajuda de um crescente elenco (em um certo ponto ele conta com mais de mil atores), reproduzir a já prejudicada visão do que significa sua miserável vida.
Perdido em um complexo caleidoscópio de situações fragmentadas no tempo, no qual uma mesma fase pode compreender vários pontos de vista, Cotard, assim como Guido de 8½ (Fellini), não consegue mais distinguir a realidade da ficção, o que acaba se estendendo à toda sua equipe.
Irreversível como a morte, tudo o que acontece no interminável cenário da peça tem consequência fundamental na vida real de Cotard, e vice-versa. A ficção abraça a realidade, que por sua vez, continua (naturalmente) alimentando o artista de novas circunstâncias para o seu roteiro. A morte está próxima. Não só para o diretor, mas para todo o elenco, como ele mesmo afirma, de forma quase cômica, na primeira reunião da equipe. Este é, possivelmente, o único momento de razão e consciência absoluta de Cotard: quando, antes mesmo do início do projeto, ele dá a entender que sua morte é o único final possível.
Em meio ao caos promovido pelo grande número de desejos não saciados e por histórias de amor incompletas, o diretor é vítima de um constante sofrimento associado ao seu passado, que o persegue de perto, assombrando-o.
Sem saber mais o que significa seu novo mundo (uma reprodução de Nova York), Caden Cotard abandona o posto de diretor, e vira um ator coadjuvante fazendo o papel de um espectador de sua própria vida, ou em última instância, da vida que indiretamente “criou” para todos os envolvidos.
No final, como um Deus esquecido, Cotard vaga pelo universo que já o pertenceu, mas que agora se encontra completamente destruído e deserto. Desiludido, Cotard ainda encontra uma última oportunidade de redenção. Instruído por um ponto no ouvido, que tem supostamente como interlocutor sua primeira mulher , ele a aproveita e, finalmente livre, morre.
Tony Montana
Ainda sem comentários »
RSS de comentários deste artigo. URI para link desta publicação:
Deixe um comentário
Hits para esta publicação: 62
: : TUMDUM : : Desejo de Barulho | http://blog.tumdum.com