Divertido e Curioso

2 de Março de 2009 @ 01:32 - Geral
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Avaliação: quatro estrelas 1 2 3 4 5 - quatro estrelas 1 2 3 4 5

Pegos de surpresa pela cor amarronzada e principalmente pela atitude absurda de um suposto fugitivo – que antes de se enfiar em uma lata de lixo envolve todo seu corpo com papelão e durex – começamos a assistir Delicatessen sem saber muito bem o que esperar.

Logo após a primorosa sequência de créditos que sucede a primeira cena, somos convidados a conhecer uma vizinhança incomum em um prédio onde funciona um açougue no primeiro andar. O artista de circo aposentado Louison (Dominique Pinon) diz ao açougueiro Clapet(Jean-Claude Dreyfus), espécie de síndico do pulgueiro, que está interessado no emprego que viu no jornal ”Tempos Difíceis”.

Servindo-se de um roteiro onde pequenas situações servem, em primeira instância, para apresentar as personagens e a partir de suas indiossincrasias e esquisitices revelar aos poucos a verdadeira política de convívio daquela comunidade, Jean-Pierre Jeunet demonstra apuro técnico e intimidade com uma linguagem que viria a se repetir em alguns de seus próximos filmes: O Surrealismo.

Em um mundo pós apocalíptico, sem subsídios e sem comida, os barulhos que ressoam através do cano, que ditam o ritmo da vida do moradores do estranho prédio, são na verdade uma metáfora para o desespero comum e o segredo que todos guardam como sua única forma de sobrevivência.

Ao decidir não usar trilha sonora (toda música que aparece no filme está sendo tocada ou ouvida no rádio ou televisão de algum quarto) o diretor consegue manter, até o fim, um ar de suspense. Os próprios moradores, não é difícil perceber, passam todo tempo desconfiados. Aliás o filme pega emprestado influências de vários estilos além do suspense, como a comédia(quando Louison tentar descobrir de onde vem o som da mola defeitusosa da cama, por exemplo) o terror (nos closes, gritos e sangues)e, é claro, o ramance. Jogando com esses estilos, Jeunet dá ritmo ao longa, sem perder uma levada original e inovadora. Cabe ainda uma alusão à Fritz Lang e sua futurista Metropolis, representados aqui por uma sociedade que vive no submundo, nos esgotos(Os Trogloditas), e que de forma caótica, quase cômica, se organizam contra os que moram na superfície e seus hábitos, principalmente o inadimissível ato de comer carne(mensagem claramente pró-vegetariana).

Misturando circo, teatro, referências a desenhos animados(na estrutura externa do edifício mas principalmente na escolha de atores característicos), e ainda cercado de uma equipe tecnicamente impecável direcionada artísticamente por Marc Caro(que por isso mereceu o título de co-diretor), o cineasta Jean-Pierre Jeunet faz um filme bastante divertido e curioso de se ver .

Tony Montana

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