Lutando Sozinho
22 de Fevereiro de 2009 @ 20:24 - GeralArquivado sob Principal, Filme da semana, Nossos Críticos, Fábio Escovedo | Link desta publicação | Enviar por e-mail
Em “O Lutador”, de Darren Aronofsky, a realidade e a ficção se confundem bastante. Isso fica evidente no estilo documental da narrativa, mas principalmente na atuação e na história da personagem The Ram, “interpretado” por Mickey Rourke.
E sim, usei aspas para reforçar o ponto que considero o principal êxito do longa: Mickey Rourke. É impossível imaginar qualquer outro ator interpretando o lutador em fim de carreira, duas décadas depois do auge da fama. Sua atuação é completamente naturalista e o paralelo entre a história de Ram e a de Rourke é evidente. Aliás, em certos momentos do filme, como no discurso antes da última luta, parece que estamos ouvindo o próprio ator falar de sua vida e de sua profissão.
Aronofsky, por sua vez, continua a manter um currículo impecável. Sempre mudando seu estilo de filmar, ele investe aqui em uma narrativa quase documental. A impressão que temos é que há uma câmera invisível seguindo a personagem de Mickey Roarke por onde quer que vá, dada a grande quantidade de imagens das costas do personagem andando.
Mais tocante do que o estilo, porém, é o carinho com que o diretor e o roteiro de Robert D. Siegel tratam suas personagens. Não só de The Ram, mas também de sua filha Stephanie e, principalmente, de Cassidy, intepretada por Marisa Tomei. Aliás, também são claras as semelhanças entre as vidas da striper e do lutador: ambos já estão velhos demais para suas profissões e ambos buscam, em seus alter-egos, escapar da realidade e da solidão. É tocante a maneira como eles se aproximam e como se relacionam.
Mas, no final das contas, o lado auto-destrutivo de The Ram volta à tona e desequilibra as relações pessoais do filme. A questão que veio em minha cabeça nessa parte final é se alguém pode realmente mudar sua personalidade e expurgar os vícios e os maus hábitos. Em “O Lutador”, o escapismo torna-se mais forte, pois a felicidade da glória do passado é muito mais confortante do que as marcas que o tempo deixou no corpo e na mente de Randy “The Ram” Robinson.
Bob Harris
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