Felizes Encontros
22 de Fevereiro de 2009 @ 20:35 - GeralArquivado sob Principal, Filme da semana, Nossos Críticos, Paula Marchesini | Link desta publicação | Enviar por e-mail
O cinema é, sobretudo, a arte de trabalhar em equipe. Diretores, produtores, roteiristas e atores devem estar em sintonia perfeita para que o filme cumpra seu propósito e satisfaça o público. Mais do que um bom diretor, um bom roteiro, esta sintonia é a chave do sucesso. E é isso que faz de “The Wrestler” uma grata surpresa do cinema atual.
O primeiro feliz encontro do filme é o que se dá entre Mickey Rourke e Randy “The Ram” Robinson. Rourke, o velho galã de Hollywood, protagonista de 9 e ½ semanas de amor, ator de carreira promissora que abandonou tudo – beleza e estrelato – pelo boxe. Randy, uma personagem baseada vagamente em diversas figuras da luta livre, um lutador em decadência que percebe-se obrigado a se entregar aos limites de seu corpo depois de sofrer um ataque cardíaco.
Muitos criticaram a interpretação de Rourke, dizendo que nada mais fácil para um “freak” que interpretar um “freak”. Mas penso que a questão da dificuldade não deve ser parâmetro para avaliar uma atuação. Rourke construiu seu personagem com inteligência e delicadeza e sua presença na tela é, ao mesmo tempo, arrebatadora e agradável. Creio que, por mérito dele, o filme conseguiu atingir uma universalidade, sair do círculo fechado da luta livre com seus monstros bombados (tão icônicos da cultura americana) e abordar, para além do caso específico de um velho lutador, a própria condição humana, a decadência, a velhice, a pobreza das relações.
Outro encontro formidável foi entre Darren Aronofsky e Robert D. Siegel. Aronofsky soube se abrir a uma estética bem menos requintada que a de “The Fountain”, em nome de uma maneira apropriada para contar a história de Randy. A maneira como a câmera segue Rourke, como se ele estivesse sempre caminhando para entrar no ringue é um dos pontos fortes do filme. Este simples recurso estabelece uma sintonia imediata entre a personagem e o espectador.
O encontro entre Rourke e Marisa Tomei não é menos feliz. Acredito que esta seja uma das melhores performances da atriz. Evan Rachel Wood também leva seu papel com inteligência, sabendo ser discreta e deixar sua marca. E a canção de Bruce Springsteen é perfeita.
Por ser de uma arquitetura tão simples e bela, não há mais muito o que analisar em “The Wrestler”. Ver o filme basta.
Wall-E
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