A opinião de Jabor
16 de Fevereiro de 2009 @ 00:27 - GeralArquivado sob Principal, Filme da semana | Link desta publicação | Enviar por e-mail
“Opinião Pública” marca a estréia no cinema de um dos maiores críticos que o Brasil viria conhecer, Arnaldo Jabor. Sua visão crítica ao entrevistar os jovens dos anos 60 pós – revolução militar, e mostrar seus ideais, ingenuidades, fica bem claro.
O filme começa muito bem, prende a sua atenção, com conversas e pessoas interessantes, com assuntos de mesa de bar, os jovens e suas ilusões inocentes (o que me prova que não importa a década, todos nós, quando jovens, temos os mesmos medos, dúvidas, vontade de viver, achar que é invencível!) uma criança brincando com a câmera ( que foi tão natural que simplesmente parei de prestar atenção no que o senhor estava falando e só tive olhos para essa criança que pulava para lá e para cá).
Apesar de todos os defeitos técnicos, comuns no cinema brasileiro, principalmente nas décadas de 60,70 e 80 ( ainda me pergunto o porque de tanto descaso nas imagens e captação de som. Era nítido em algumas cenas de atores que não eram atores, sendo dublados. Não é possível que os diretores ficassem satisfeitos na finalização de seus filmes com um som tão precário. Ainda hoje, na minha opinião, a captação de som do cinema brasileiro, é muito ruim. Gostaria de uma resposta.) a câmera foi um ponto positivo do filme. Com a forma que foi filmado, parecia que estávamos invadindo uma conversa ou uma casa, mas ela nos deixava a vontade, como se fosse mais um personagem. As imagens de Jerry Adriani, Ioná Magalhães e Chacrinha, no começo de suas carreiras, foram também um ponto alto do filme. Mas do meio para o final, ele se perde, sendo repetitivo e monótono.
“Opinião Pública”, com certeza foi um marco no cinema Brasileiro, na década de 60. Pode ter sido o pioneiro do cinema verdade, onde se capta a vida enquanto acontece. Hoje em dia, já não é novidade, esse tipo de filme.
Mas sim, darei o mérito merecido, ao Jabor, principalmente. Apenas não foi um filme que me conquistou até o final. A partir do momento que um filme me faz olhar no relógio de 30 a 30 minutos. Já não é, para mim, um filme inesquecível.
Se me perguntarem se o filme é bom, eu responderei que é um filme fácil de esquecer.
Agora, se me perguntarem se vale a pena assistir eu responderei que sim. Primeiro, porque é um filme brasileiro, e como sou uma cineasta, a minha opinião é que sempre vale a pena nos prestigiar e segundo porque é interessante ver que depois de anos os brasileiros continuam com a mesma opinião. E terceiro que é sempre bom ver o que o Jabor tem a dizer.
Ariel
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