A caminho da infelicidade
2 de Fevereiro de 2009 @ 02:19 - GeralArquivado sob Principal, Filme da semana, Nossos Críticos, Fábio Escovedo | Link desta publicação | Enviar por e-mail
“Todos viviam em um tipo de mundo hieroglífico. A verdade nunca era dita,
realizada ou mesmo pensada. Era apenas representada por sinais arbitrários.
Newland Archer compreendia a sociedade em que vivia. E, de certa forma, se via acima dela. Julgava ter valores que o faziam se equilibrar sobre o muro que separava o tradicionalismo conservador do ideal de liberalismo. Era hipocrisia e ele não sabia.
Era hipócrita aquela Nova Iorque do final do século XIX, onde se buscava na arte, seja na ópera, teatro ou pinturas, a emoção perdida na repressão das aparências. Qualquer desvio de conduta virava escândalo. Fosse uma roupa inadequada, um divórcio ou um triângulo amoroso.
Quando Archer comprometeu o seu amor a May Welland, buscava nela a inocência e pureza que o ajudava a respirar naquele mundo sufocador. Mas aquele amor revelou-se vazio quando Ellen, prima de May, chega a Nova Iorque e desperta em Archer sentimentos muito mais intenso e palpáveis.
Ellen Olenska não compreendia a sociedade em que viva. Sua impulsividade e transparência a colocaram em uma prisão invisível, de onde a única saída era mergulhar no isolamento e infelicidade. Ellen foi uma vítima de seus próprios sentimentos e de sua inabilidade de reprimi-los. Em certo momento, emocionada, ela diz: “Ninguém chora aqui? Creio que não há necessidade.”.
No fim, assim como Ellen, Archer torna-se vítima de si mesmo e é com espanto que ele percebe ser alvo das especulações e falsidade de seus amigos e, principalmente, da manipulação daquela que julgava estar acima disso tudo.
E é essa inocência a grande revelação do filme. Pois percebemos que não é na personalidade de May que ela se encontra e sim na crença de Archer e Ellen que aquele amor fosse, de alguma forma, possível.
Bob Harris
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